Após ressurgimento de casos em alguns países, OMS cita complexidade de afrouxar isolamento social

O ressurgimento dos casos de COVID-19 em Coreia do Sul, China e Alemanha após o fim das restrições de permanência em casa demonstra a complexidade de tais medidas, disse na segunda-feira (11) o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“No fim de semana, vimos sinais dos desafios que podem estar à frente”, disse ele a jornalistas.

Morador se pesa em balança do lado de fora de farmácia em Wuhan, na China, em 8 de abril, quando o isolamento social da cidade acabou após 76 dias. Balanças fora das farmácias são bastante comuns na China. Foto: Wang Zheng

Morador se pesa em balança do lado de fora de farmácia em Wuhan, na China, em 8 de abril, quando o isolamento social da cidade acabou após 76 dias. Balanças fora das farmácias são bastante comuns na China. Foto: Wang Zheng

O ressurgimento dos casos de COVID-19 em Coreia do Sul, China e Alemanha após o fim das restrições de permanência em casa demonstra a complexidade de tais medidas, disse na segunda-feira (11) o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“No fim de semana, vimos sinais dos desafios que podem estar à frente”, disse ele a jornalistas.

Tedros estava se referindo a relatos de que a Coreia do Sul fechou boates e bares depois que um caso confirmado de COVID-19 fez com que milhares de contatos tivessem de ser rastreados.

A cidade chinesa de Wuhan – onde o novo coronavírus surgiu – também identificou seu primeiro conjunto de casos desde que suspendeu o bloqueio há um mês, enquanto a Alemanha registrou aumento no número de casos.

“Felizmente, os três países têm sistemas para detectar e responder a um ressurgimento”, disse Tedros.

“Os primeiros estudos sorológicos refletem que uma porcentagem relativamente baixa da população possui anticorpos para COVID-19, o que significa que a maioria da população ainda é suscetível ao vírus”.

O vírus ainda está presente

O diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, elogiou Coreia do Sul e Alemanha, que reagiram rapidamente, rastreando os casos que ressurgiram.

Respondendo à pergunta de um jornalista, ele disse que “o vírus ainda está conosco”, mesmo em locais onde os casos diminuíram ou atingiram níveis baixos.

Ryan disse que, à medida que as quarentenas são suspensas em alguns países, as pessoas sem dúvida irão se deslocar mais. Mesmo que mantenham o distanciamento físico e outras medidas preventivas, o risco de transmissão aumentará potencialmente.

“A questão é: podemos chegar a um ponto em que tenhamos fortes medidas de saúde pública em que possamos investigar agrupamentos de casos e suprimir esses agrupamentos sem voltar aos intensos padrões de transmissão de antes”, disse ele.

Diretrizes adicionais para os países

Embora o isolamento social tenha sido bem sucedido em retardar a transmissão e salvar vidas, Tedros reconheceu que ele teve um “sério impacto socioeconômico” sobre os cidadãos.

“Portanto, para proteger vidas e meios de subsistência, um levantamento lento e constante dos bloqueios é fundamental para estimular as economias, além de manter um olho vigilante no vírus, para que as medidas de controle possam ser implementadas rapidamente se uma melhora nos casos for identificada”, disse.

A OMS está trabalhando em estreita colaboração com os governos para garantir que as principais medidas de saúde pública permaneçam em vigor para lidar com o desafio de suspender os bloqueios.

A agência publicou neste fim de semana mais orientações para os países que procuram diminuir essas restrições e outra sobre a reabertura de escolas e locais de trabalho.

As orientações solicitam às autoridades que considerem se a epidemia está sob controle, se o sistema de saúde lida com o ressurgimento de casos e podem adotar medidas de vigilância para detectar casos e identificar qualquer ressurgimento.

“No entanto, mesmo com três respostas positivas, liberar bloqueios é complexo e difícil”, afirmou Tedros.

“Passaportes de imunidade” no contexto da COVID-19

A OMS publicou orientações sobre o ajuste de medidas de saúde pública e sociais para a próxima fase da resposta à COVID-19.1

Alguns governos sugeriram que a detecção de anticorpos contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19, poderia servir como base para um “passaporte de imunidade” ou “certificado sem risco” que permitiria que indivíduos viajassem ou retornassem ao trabalho assumindo que estão protegidos contra reinfecção.

Atualmente, não há evidências de que as pessoas que se recuperaram da COVID-19 e tenham anticorpos estejam protegidas contra uma segunda infecção.

Clique aqui para acessar as diretrizes (em inglês).