Após surto de ebola, especialistas pedem departamento especial na OMS para emergências

Relatório aponta que crises globais de saúde têm mostrado as consequências trágicas do fracasso dos países para investir em bens públicos globais para a saúde.

Profissionais de saúde dão assistência contra o ebola na Guiné. Foto: UNMEER / Simon Ruf

Profissionais de saúde dão assistência contra o ebola na Guiné. Foto: UNMEER / Simon Ruf

Especialistas independentes encarregados de avaliar a resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o surto de ebola na África Ocidental afirmaram nesta segunda-feira (12) que “neste momento, a OMS não tem a capacidade operacional ou a cultura de proporcionar uma resposta de emergência plena de saúde pública”.

“Agora é o momento político histórico para os líderes mundiais darem à OMS nova relevância e capacitá-la para liderar a saúde global”, disse o primeiro relatório do painel, encomendado pela OMS e compartilhado com os Estados-Membros antes da Assembleia Mundial da Saúde da próxima semana. “Uma OMS fortalecida e bem financiada pode dar apoiar todos os países que se preparam para enfrentar os desafios da crescente interdependência global e vulnerabilidade compartilhada. Em resposta, o Secretariado [da OMS] necessita tomar medidas sérias para ganhar este papel de liderança em relação a surtos e resposta de emergências e recuperar a confiança da comunidade internacional”.

De acordo com o relatório, cada crise global de saúde tem mostrado as consequências trágicas, incluindo aqueles nas esferas sociais e econômicas, do fracasso dos países para investir em bens públicos globais para a saúde. Essas falhas são, em seguida, espelhadas como deficiências na OMS, à medida que a agência sofre com a falta de compromisso político e financeiro dos seus Estados-Membros, apesar dos riscos que a saúde global enfrenta.

O relatório lista três opções sobre o caminho a seguir para a OMS: deve ser estabelecida uma nova agência para as emergências de saúde; a parte da resposta de emergência de saúde deve ser conduzido por outra agência das Nações Unidas; ou investimentos devem ser feitos para melhorar a capacidade operacional da OMS na resposta de emergências. O painel disse que recomenda que a terceira opção “seja buscada com vigor” e pediu investimentos dos Estados Membros para tornar a agêncai apta para o seu propósito.

Este surto de ebola é o maior e mais complexo já registrado e até o momento afetou mais de 26.000 pessoas, incluindo mais de 11.000 mortes, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.