Após novos ataques, ONU pede proteção a trabalhadores humanitários e civis no Sudão do Sul

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Os ataques ocorrem à medida que a situação humanitária no Sudão do Sul se deteriora. Mais de 3,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, incluindo quase 1,9 milhão internamente deslocadas e mais de 1,7 milhão que fugiram como refugiados para países vizinhos. Apenas 11% do pedido por recursos para a crise foi atendido, até o momento.

Refugiados sul-sudaneses transportando itens humanitários distribuídos pelo ACNUR em Yumbe, no norte da Uganda. Foto: ACNUR /David Azia

Refugiados sul-sudaneses transportando itens humanitários distribuídos pelo ACNUR em Yumbe, no norte da Uganda. Foto: ACNUR /David Azia

O coordenador humanitário das Nações Unidas para o Sudão do Sul, Eugene Owusu, pediu no sábado (8) ao governo do país e à oposição que protejam os civis dos conflitos e garantam a segurança dos trabalhadores humanitários na região.

Ele classificou os recentes ataques às instalações de ajuda humanitária no Alto Nilo e os atentados contra os civis em Equatoria Oriental de “repreensíveis e inaceitáveis”.

“Peço aos detentores de poder que tomem medidas urgentes para acabar com os incidentes contra civis e para levar os responsáveis por esses delitos à justiça”, disse.

“Trabalhadores humanitários estão no país para salvar vidas. E, apesar de nossos apelos, eles continuam morrendo, sendo assediados e abusados”, acrescentou.

De acordo com dados da ONU, na semana passada, em Pajok, no estado de Equatoria Oriental, várias pessoas morreram e 6 mil civis foram forçados a fugir para Uganda após uma ataque de forças governamentais na cidade.

“Estou chocado com os relatórios. Apelo às autoridades sul-sudanesas que investiguem essas alegações e acabem com todos os ataques contra civis.”

Os ataques ocorrem à medida que a situação humanitária no Sudão do Sul se deteriora. Mais de 3,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, incluindo quase 1,9 milhão internamente deslocadas e mais de 1,7 milhão que fugiram como refugiados para países vizinhos.

O Escritório de Coordenação Humanitária da ONU, OCHA, estima que uma média de 2 mil refugiados sul-sudaneses estão chegando em Uganda todos os dias, sendo 62% crianças. Atualmente, há no país cerca 832 mil refugiados do Sudão do Sul.

Situação em Uganda exige recursos financeiros

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) informou na semana passada (7) que as comunidades de acolhimento e as organizações de ajuda em Uganda estão se esforçando para alimentar e dar abrigo aos novos refugiados sul-sudaneses, mas há falta de recursos.

Em janeiro deste ano, o apelo de financiamento para a situação no Sudão do Sul – que inclui Uganda, Etiópia, Sudão, Quênia, República Democrática do Congo e República Centro-Africana – foi previsto em quase 782 milhões de dólares, um aumento de quase 238 milhões de dólares do recurso original.

Segundo a agência da ONU, no entanto, apenas 11% foi financiado.


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