Após mortes em manifestação no Camboja, relator da ONU reitera apelo por calma no país

Ao menos quatro pessoas morreram baleadas por policiais militares durante protesto por aumento do salário mínimo no setor têxtil. Desde julho, é a terceira vez que autoridades atiram contra multidões provocando mortes.

Relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos no Camboja, Surya P. Subedi. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O relator especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos no Camboja, Surya P. Subedi, reiterou nesta sexta-feira (3) seu apelo por calma depois que policiais militares atiraram contra grevistas do setor têxtil que pedem aumento do salário mínimo. Ao menos quatro pessoas morreram.

Esta é a terceira vez, desde as eleições gerais de julho de 2013, que autoridades atiraram contra uma multidão e deixaram mortos.

“Qualquer uso de força pelas autoridades deve estar submetido aos princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade”, afirmou Subedi, que se mostrou preocupado com os últimos conflitos no Camboja e condenou a perda de vidas.

“É preciso haver uma investigação rápida e independente sobre se força excessiva foi usada nesta ocasião e nas duas anteriores”, acrescentou o relator.

Subedi também expressou preocupação com o fato de alguns manifestantes estarem cada vez mais recorrendo à violência, atirando pedras e danificando propriedades. O especialista pediu aos grevistas que, apesar dos motivos para os protestos, exercitem máxima contenção.

O relator especial apelou, ainda, por negociações significativas em relação às demandas dos trabalhadores.

As greves dos trabalhadores desse setor alimentaram as manifestações políticas organizadas desde julho pelo partido de oposição para pedir a renúncia do primeiro-ministro Hun Sen e uma nova eleição.

“O Camboja agora vê manifestações diárias. É bem-vindo que os cambojanos se sintam capazes de exercer seus direitos de protestar, mas os protestos devem ser pacíficos”, afirmou Subedi.