Após fuga do leste de Alepo, sírios enfrentam desafios para voltar a trabalhar

Omar ajoelha-se ao lado de um fogão para se aquecer. Ele está entre os cerca de 50 mil ex-habitantes do leste de Alepo que foram deslocados por causa da guerra. Foto: ACNUR/Hameed Maarouf

O sírio Abo Ahmad e sua família dizem que têm sorte por ainda estarem vivos. Eles estavam no leste de Alepo quando forças do governo reconquistaram essa região da cidade. A batalha deixou a área destruída.

Agora que as armas se silenciaram, Abo está entre os mais de 50 mil ex-habitantes da parte oriental de Alepo vivendo no oeste do município. O sírio espera conseguir um emprego para sustentar os parentes. “Quero recuperar nossas vidas e começar a trabalhar para que eu possa cuidar da minha família sem depender de ninguém”, disse. Até o momento, as buscas por um posto de trabalho não tiveram sucesso.

“Agora que estamos em segurança, eu quero voltar a ser produtivo. Este não é o tipo de vida que eu quero, esperando em filas de ajuda humanitária”, acrescentou o homem, que vive no abrigo de Al Salat desde o início de dezembro, com a esposa e os quatro filhos.

Em Alepo, mais de 120 mil pessoas são consideradas deslocadas. A municipalidade é uma das cidades mais antigas do mundo e era o maior centro comercial e populacional da Síria antes de o país entrar em conflito em 2011.

Em Al Salat e em toda a Alepo, a Agência da ONU para Refugiado (ACNUR) e seus parceiros procuram estimular a criação de empregos o desenvolvimento de meios de subsistência. O objetivo é ajudar a cidade e seu povo a se recuperar de quase seis anos de guerra. Entre os serviços oferecidos, estão cursos de formação profissional e subsídios para empresas iniciantes.

“Muitas das famílias que encontramos estão ansiosas para reiniciar suas vidas, e a maioria das perguntas são sobre oportunidades de subsistência e a criação de escolas para seus filhos”, disse o representante do ACNUR na Síria, Sajjad Malik, durante visita recente a Alepo.

A luta brutal pelo controle da cidade durou mais de quatro anos antes que as forças do governo restabelecessem o domínio sobre toda o município em dezembro, após um cerco dos bairros orientais durante um mês.

Os comerciantes do mercado da cidade velha, agora arruinado, também sonham com um recomeço. Entre eles, está Mohamad, que já possui seis lojas. “Aos poucos, vou consertar e reparar as coisas aqui”, afirmou ao passar por uma rua rodeada de estabelecimentos que tiveram suas persianas arrancadas e estão cheios de entulho. “Vamos trabalhar juntos e reconstruir o mercado para que possamos trabalhar aqui novamente”, prometeu.

Outro ex-residente do leste de Alepo, atualmente deslocado no oeste da cidade, é Omar, um ferreiro de 43 anos especializado na fabricação de arabescos tradicionais árabes. Ele foi capaz de continuar trabalhando para sustentar sua família durante grande parte dos últimos quatro anos, mas foi finalmente forçado a parar em julho de 2016, quando o leste da cidade ficou sitiado.

Omar fugiu para o oeste com sua esposa e quatro filhas depois que seu único filho homem foi morto em um ataque. Quando saíram, ele levou as ferramentas restantes com ele para voltar a trabalhar quando pudesse.

“Percebo que preciso de ajuda, já que as ferramentas que tenho agora não são suficientes”, disse. Omar estima que ele precisará gastar cerca de 150 mil libras sírias — o equivalente a cerca de 300 dólares — para comprar os novos utensílios de que precisa. “Desse valor, eu só tenho dez dólares agora”, lamentou.

“Do jeito que estou agora, não consigo ter um plano para o futuro. Tudo o que posso fazer agora é ficar neste abrigo e sobreviver, com a minha família, dependendo da ajuda humanitária que recebemos”, concluiu Omar.

O conflito em Alepo já forçou milhares de famílias a abandonarem suas casas. Você pode ajudar e fazer uma doação para que essas pessoas possam sobreviver. Saiba como aqui.