Após colapso do cessar-fogo, secretário-geral da ONU pede máxima cautela em Gaza

“Em vez de dar a ambos os lados, especialmente aos civis de Gaza, uma pausa para atender os doentes, enterrar os mortos e reparar as infraestruturas vitais, essa violação ao cessar-fogo leva a uma nova escalada de violência”, afirmou Ban Ki-moon.

Foto: Uma menina anda entre as ruínas de Rafah, no sul de Gaza, transportando água

Condenando veemente a denúncia de violação pelo Hamas do acordo mútuo humanitário de cessar-fogo, que começou nesta sexta-feira (01) de manhã na Faixa de Gaza, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou sua profunda preocupação com o novos ataques israelenses ao pequeno enclave, que, segundo relatos, mataram a mais de 70 palestinos.  

“Ele está chocado e profundamente decepcionado com esses acontecimentos”, disse o porta-voz do chefe da ONU, Stéphane Dujarric, ao ler o comunicado sobre o colapso da pausa humanitária intermediado pelas Nações Unidas e os Estados Unidos para ajudar a pôr um fim a quase um mês de violência.

Na quinta-feira, a ONU informou que todas as partes do conflito tinham concordado com um cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza, intermediada pelo secretário-geral da ONU e o secretário de estado dos Estados Unidos, John Kerry. Essa pausa permitiria a entrega imediata e necessária da ajuda aos civis profundamente afetados pela violência.

Sublinhando que a ONU não posui meios independentes para averiguar o que de fato aconteceu para deter a pausa, o porta-voz afirmou que, segundo os últimos relatórios, dois soldados das Forças de Defesa Israelense foram mortos e um foi sequestrado depois que o cessar-fogo entrou em vigor.

“Isso constitui uma grave violação ao cessar-fogo e traerá graves consequências para a população em Gaza, Israel e outras regiões”, adicionou. “Estes movimentos põe em causa a credibilidade das garantias do Hamas às Nações Unidas. O secretário-geral exige a libertação imediata e incondicional do soldado capturado.”

Ban expressou sua profunda preocupação com o reinício dos ataques israelenses em Gaza, que deixaram mais de 70 palestinos mortos nesta manhã de sexta-feira (01). “Em vez de dar a ambos os lados, especialmente aos civis de Gaza, uma pausa mais do que necessária para atender os doentes, enterrar os mortos e reparar as infraestruturas vitais, essa violação ao cessar-fogo está levando agora a uma nova escalada de violência”, afirmou.

De acordo com os dados publicados nesta quinta-feira (31) pelas Nações Unidas, quase quatro semanas de conflito deixaram mais de 1.300 palestinos foram mortos, entre eles 252 crianças, e 8.265 pessoas foram feridas. A população israelense também sofreu com o lançamento de foguetes desde Gaza e as hostilidades resultaram na morte de três civis e 56 soldados, com dezenas de feridos.

Pedido de 369 milhões de dólares para ajudar aos palestinos

Enquanto isso, o coordenador humanitário da ONU para o território palestino ocupado, James W. Rawley, juntamente com o ministro de assuntos sociais e agricultura do Estado da Palestina, Shawqi Issa, solicitaram 369 milhões de dólares para continuar a atender às necessidades urgentes em Gaza.

“As hostilidades em curso em Gaza, incluindo bombardeios e combates em áreas densamente povoadas, limitou severamente a capacidade da equipe médica de salvar vidas, dos trabalhadores de ajuda humanitária atender às necessidades ou dos técnicos de reparem os danos à infraestrutura vital para a população. Isso deve parar”, insistiu Rawley.

O apelo da crise de Gaza se concentra em apoiar o acesso à saúde e à água, bem como atender às necessidades das pessoas deslocadas em Gaza, incluindo a ajuda alimentar, cobertores e colchões, bem como o apoio psicossocial.

“A forte mobilização de recursos é necessária para satisfazer as necessidades mais urgentes, particularmente aquelas provenientes do grande número de pessoas deslocadas e decorrentes de danos em larga escala à infraestrutura”, disse Rawley. “Mas os recursos significarão pouco se o bloqueio à Gaza e a negação dos direitos palestinos continuar. Como primeiro passo, todas as agências humanitárias devem receber um acesso seguro à Gaza”, disse.