Após carta de cientistas, OMS divulgará novo relatório sobre transmissão aérea da COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deve publicar nos próximos dias um resumo sobre os modos de transmissão do novo coronavírus, disse uma autoridade sênior da agência na terça-feira (7).

A organização tem estudado os vários modos de potencial transmissão do vírus, incluindo gotículas no ar ou em aerossol, mas também outros canais, como de mãe para bebê e de animal para humano. O resumo científico consolidará o crescente conhecimento sobre esse assunto.

Funcionários de uma padaria em Constantine, Argélia, durante a crise da COVID-19. Foto: OIT/Yacine Imadalou

Funcionários de uma padaria em Constantine, Argélia, durante a crise da COVID-19. Foto: OIT/Yacine Imadalou

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deve publicar nos próximos dias um resumo sobre os modos de transmissão do novo coronavírus, disse uma autoridade sênior da agência na terça-feira (7).

A epidemiologista Maria van Kerkhove, líder técnica da OMS para a COVID-19, respondeu à pergunta de um jornalista sobre uma carta aberta assinada por centenas de cientistas instando a organização a atualizar suas recomendações sobre a transmissão aérea.

A especialista disse que a OMS considera bem-vinda a interação com a comunidade científica.

Ela relatou que o grupo escreveu pela primeira vez à agência das Nações Unidas em 1º de abril e que houve um “envolvimento ativo” desde então.

“Muitos dos signatários são engenheiros, que é uma maravilhosa área de especialização, que aumenta o conhecimento crescente sobre a importância da ventilação, que sentimos também ser muito importante”, disse ela.

A OMS tem estudado os vários modos de potencial transmissão do coronavírus, incluindo gotículas no ar ou em aerossol, mas também outros canais, como de mãe para bebê e de animal para humano.

A agência está produzindo um resumo científico que consolida o crescente conhecimento sobre esse assunto, que será divulgado nos próximos dias.

Acelerar a solidariedade global

O chefe da OMS repetiu seu apelo à solidariedade global para superar a crise da COVID-19.

Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que, embora os casos estejam se acelerando globalmente, o pico da pandemia ainda não foi atingido.

“Embora o número de mortes pareça ter se estabilizado globalmente, na realidade alguns países fizeram progressos significativos na redução do número de mortes, enquanto em outros países, as mortes ainda estão aumentando”, disse ele.

“Onde houve progresso na redução de mortes, os países implementaram ações direcionadas aos grupos mais vulneráveis, por exemplo, pessoas que vivem em instituições de longa permanência.”

Até terça-feira (7), havia 11,4 milhões de casos de COVID-19 e mais de 535 mil mortes no mundo.

Tedros disse que, apesar de ter levado 12 semanas para que o mundo chegasse a 400 mil casos, esse mesmo número foi registrado em apenas um fim de semana agora.

“Vou dizer de novo. A unidade nacional e a solidariedade global são mais importantes do que nunca para derrotar um inimigo comum, um vírus que tornou o mundo refém”, afirmou ele a jornalistas.

“Este é o nosso único caminho para sair dessa pandemia. Repito: unidade nacional e solidariedade global.”

Garantir acesso a antirretrovirais

A OMS está preocupada com o impacto da pandemia nos esforços para combater o HIV, já que 73 países correm o risco de ficar sem medicamentos antirretrovirais (ARVs).

Para resolver as dificuldades de acesso ao tratamento durante a crise, a OMS recomenda prescrever esses tratamentos por períodos mais longos, de até seis meses.

A agência da ONU também pediu aos países que garantam prevenção, tratamento e serviços ininterruptos para o HIV em meio à pandemia.

Enquanto mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo têm acesso aos ARVs, a OMS disse que o progresso está parado nas áreas de prevenção, testes e tratamento porque os serviços não estão alcançando aqueles que mais precisam deles.

Um vírus que afeta todos

A confirmação na terça-feira de que o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, testou positivo para a COVID-19 mostra que a doença pode afetar qualquer pessoa, disseram autoridades de saúde da ONU.

“Acho que isso mostra toda a realidade desse vírus. Ninguém é especial a esse respeito. Todos nós estamos potencialmente expostos a ele”, disse Michael Ryan, diretor-executivo da OMS.

“O vírus realmente não sabe quem somos. Quer sejamos príncipes ou pobres, somos igualmente vulneráveis.”

Ryan e o chefe da OMS desejaram uma rápida recuperação a Bolsonaro.

Tedros também destacou que o novo coronavírus é “inimigo público número um”, uma expressão que ele usou durante toda a pandemia.

“É muito importante entender a seriedade desse vírus e encará-lo de maneira séria. Nenhum país está imune e nenhum país está seguro. E nenhum indivíduo pode estar seguro”, afirmou.

Viagem à China

Os especialistas da OMS vão viajar para a China neste fim de semana para preparar planos científicos com os seus homólogos locais para identificar a fonte zoonótica da COVID-19.

A equipe desenvolverá o escopo e os termos de referência para uma missão internacional liderada pela OMS para aprimorar a compreensão sobre os hospedeiros animais do coronavírus e verificar como a doença foi transmitida para humanos.

Ryan descreveu o estudo como “uma história de detetive”, observando que foram necessárias “décadas” para desvendar a fonte do ebola.

“Existe o reino dos animais selvagens, o reino dos animais de criação, depois as interfaces com os humanos. Essas interfaces com seres humanos podem ocorrer com animais selvagens, em fazendas, em mercados e não sabemos onde essa barreira de espécies foi realmente rompida”, afirmou.

O novo coronavírus surgiu pela primeira vez em Wuhan, na China, no final do ano passado.

Tedros explicou que a equipe da OMS não estará “começando do zero”, pois os pesquisadores chineses já estudam essa questão.