Após anúncio de trégua na Síria, ONU põe em prática plano de ajuda humanitária a milhares de famílias

Cerca de 550 toneladas de suprimentos estão sendo disponibilizadas para até 13 mil famílias atingidas – cerca de 65 mil pessoas –, informou a agência da ONU para refugiados.

Um centro de distribuição de ajuda humanitária dentro da Síria. (ACNUR / B.Diab)

A agência de refugiados das Nações Unidas e seus parceiros estão prontos para enviar pacotes de ajuda de emergência para famílias em áreas anteriormente inacessíveis da Síria. As partes em conflito aceitaram o cessar-fogo de quatro dias – que tem início hoje (26) – por ocasião do feriado muçulmano de Eid al-Adha.

“Nós e nossos parceiros queremos estar em uma posição de rápida movimentação caso a segurança permita nestes próximos dias”, disse o representante do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) no país, Tarik Kurdi. “Há áreas ao redor de Aleppo, Idlib, Raqqa Al Homs que estiveram inacessíveis à ajuda humanitária por algum tempo. Se existe uma janela de oportunidade aqui, estaremos prontos para nos mover.”

Segundo a imprensa, o Exército sírio anunciou ontem (25) que iria observar o cessar-fogo, embora se reservasse o direito de responder a quaisquer ataques rebeldes ou tentativas de reforçar a oposição armada – cujos integrantes têm indicado apoio ao cessar-fogo.

Em visita a Teerã na semana passada, o Representante Conjunto Especial da ONU e da Liga Árabe para a crise na Síria, Lakhdar Brahimi, apelou às autoridades iranianas para auxiliar na obtenção de um cessar-fogo durante o Eid al-Adha, ressaltando que tal movimento – durante uma das mais importantes celebrações dos muçulmanos em todo o mundo – ajudaria a criar um ambiente que permita o desenvolvimento de um processo político.

A partir de hoje, a observância religiosa do Eid al-Adha – ou Festa do Sacrifício – comemora a disposição de Abraão de sacrificar seu filho Ismael como um ato de obediência a Deus.

Também nesta quinta-feira (25), o principal porta-voz do Secretário-Geral da ONU disse que Ban Ki-moon saudou os anúncios das partes em conflito na Síria sobre o cessar-fogo. “É importante que todos os lados o aceitem”, disse Martin Nesirky na sede da ONU em Nova York. “Todos compreendemos que há uma falta de confiança entre as partes e, portanto, todos compreendemos que não podemos ter certeza ainda do que vai emergir, mas a esperança é de que as armas se calarão para o povo da Síria, para que eles tenham paz e tranquilidade durante este feriado sagrado.”

Cerca de 550 toneladas de suprimentos estão sendo disponibilizadas para até 13 mil famílias atingidas – cerca de 65 mil pessoas –, informou o ACNUR em um comunicado à imprensa. Em Aleppo, uma das cidades mais afetadas pela violência, a agência já possui 5 mil kits familiares de emergência e espera trazer mais 2 mil da capital Damasco para o leste da cidade de Homs. Kits de emergência também serão disponibilizados em Raqqa Al e áreas ao sul de Hassakeh no fim de semana.

Cada kit de emergência familiar contém quatro colchões, seis cobertores, um galão, um conjunto para cozinha, lençóis e itens de higiene, incluindo absorventes higiênicos e sabão.

Agência da ONU para refugiados atua com 350 funcionários dentro da Síria

O ACNUR, que atualmente tem mais de 350 funcionários em três escritórios em toda a Síria, informou que tem trabalhado em estreita colaboração com o Crescente Vermelho árabe-sírio e outros parceiros para fornecer ajuda. Também está em andamento um programa de ajuda em dinheiro para as pessoas deslocadas, fornecendo fundos de emergência para as famílias vulneráveis para que eles possam pagar o aluguel ou resolver outras questões.

“Apesar dos imensos desafios de segurança, as Nações Unidas e parceiros humanitários conseguiram ampliar e atingir áreas onde as pessoas precisam de ajuda, incluindo o fornecimento de alimentos para 1,5 milhão de pessoas em setembro e a assistência de saúde para 60 mil pessoas, com atendimento de emergência para os feridos”, disse a Subsecretária-Geral para Assuntos Humanitários, Valerie Amos.

“A luta deve parar antes que mais vidas sejam perdidas desnecessariamente”, acrescentou. “Enquanto a operação humanitária está ajudando um grande número de pessoas em várias áreas, é prejudicada pela falta de financiamento, bem como a insegurança e a violência.”

Mais de 20 mil pessoas, a maioria civis, morreram na Síria desde o levante contra o presidente Bashar al-Assad, que começou há cerca de 20 meses. Cerca de 2,5 milhões de sírios precisam urgentemente de ajuda humanitária e estima-se que mais de 340 mil cruzaram a fronteira para os países vizinhos.