Apoio a sírios não é apenas ato de ‘generosidade’, diz Guterres em visita a campo na Jordânia

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Em visita ao campo de Zaatari, que acolhe 80 mil sírios na Jordânia, o chefe das Nações Unidas exortou as partes do conflito na Síria e os países que têm influência sobre elas a perceber que a crise não é apenas uma tragédia para o povo sírio, mas também uma ameaça à estabilidade regional e à segurança global.

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Ao visitar nessa terça-feira (28) o campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, que acolhe cerca de 80 mil refugiados sírios, o chefe das Nações Unidas exortou as partes do conflito na Síria e os países que têm influência sobre elas a perceber que a crise não é apenas uma tragédia para o povo sírio, mas também uma ameaça à estabilidade regional e à segurança global.

“Este é o momento para todos os países que estão envolvidos, direta ou indiretamente no conflito, deixarem de lado suas diferenças e entender […] o interesse comum pelo fato de que todos estão ameaçados pelo novo risco do terrorismo global”, disse o secretário-geral da Organização, António Guterres, a repórteres numa coletiva de imprensa no campo.

“A solidariedade com os refugiados sírios também é uma maneira de expressar nossa capacidade de garantir a segurança global. Não é apenas um ato de generosidade. É também um ato de interesse próprio iluminado”, acrescentou.

O secretário-geral elogiou a Jordânia por ter recebido mais de 650 mil refugiados sírios, e afirmou que o apoio oferecido pela comunidade internacional até o momento não foi suficiente para ajudar o país e outras nações próximas à Síria a lidar com o fluxo de deslocados forçados.

Estes Estados abrigam mais de 4,9 milhões de refugiados sírios. Outras 6,3 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da Síria, e mais de 13 milhões precisam de ajuda humanitária.

Guterres observou ainda que, quando o mundo deixa de apoiar refugiados, grupos como o Estado Islâmico do Iraque e o Levante (ISIL) e a Al Qaeda podem usar tais inações como argumentos para seus próprios interesses, colocando a segurança global em risco.

“Espero que, se todos os países que têm uma influência na situação síria forem capazes de se unir, estes refugiados, que vivem aqui há mais de quatro anos, poderão reiniciar as suas vidas novamente, encontrar emprego, trabalhar e ter uma vida normal”, disse.

Ele também ressaltou a importância da unidade dos árabes. Segundo Guterres, quando os países árabes estão divididos, permitem que outros intervenham e manipulem situações, criando instabilidade e conflitos, bem como facilitando as atividades de organizações terroristas.

O secretário-geral da ONU convidou ainda a comunidade internacional em geral a aumentar seu apoio humanitário e a assegurar que mais oportunidades sejam oferecidas aos refugiados e a garantir que os países que possuem influência sobre as partes no conflito “se unam para pôr fim a esta tragédia”.

Inaugurado em 2012, o campo de refugiados de Zaatari é o maior campo para refugiados sírios na Jordânia e foi criado em resposta ao êxodo em massa na fronteira. Desde a sua abertura, o campo evoluiu de algumas barracas para um assentamento estruturado que oferece abrigo temporário para 80 mil refugiados sírios.


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