Apesar de retrocessos, ‘disposição política’ para encerrar guerra no Iêmen é mais forte que nunca

O cessar-fogo em Hodeida, importante cidade portuária no Iêmen, está “no geral conservado” e prazos tiveram que ser aumentados. No entanto, o enviado especial das Nações Unidas afirmou que, “mais do que em qualquer momento do passado”, a disposição política permanece para acabar com anos de conflito, que deixaram milhões à beira da fome.

Martin Griffiths, enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iêmen, durante entrevista coletiva na Suécia. Foto: Governo da Suécia/Ninni Andersson

Martin Griffiths, enviado especial do secretário-geral da ONU para o Iêmen, durante entrevista coletiva na Suécia. Foto: Governo da Suécia/Ninni Andersson

O cessar-fogo em Hodeida, importante cidade portuária no Iêmen, está “no geral conservado” e prazos tiveram que ser aumentados. No entanto, o enviado especial das Nações Unidas afirmou na segunda-feira (28) que, “mais do que em qualquer momento do passado”, a disposição política permanece para acabar com anos de conflito, que deixaram milhões à beira da fome.

Martin Griffiths disse em entrevista ao jornal Asharq Al-Awsat, e em uma série de publicações no Twitter refletindo suas afirmações, que o “maior desafio é não fracassar com o povo do Iêmen”.

Forças do governo e seus parceiros de coalizão tentam assegurar os primeiros estágios de um acordo de paz com líderes rebeldes houthis, assinado nas Suécia em dezembro e mediado pela ONU.

Griffiths afirmou que um prazo estabelecido para a retirada de combatentes houthis em Hodeida, cidade portuária onde a grande maioria de bens e assistência entra no país, foi adiado e que conversas planejadas para trocas de prisioneiros ainda estão em andamento.

Ele também confirmou que o general holandês da reserva Patrick Cammaert, que lidera uma Missão avançada da ONU encarregada de supervisionar o cessar-fogo e conversas entre o governo e negociadores houthis, irá deixar o cargo. Ele negou que quaisquer discordâncias resultaram na renúncia.

“Não há elemento de verdade em tais relatos. Na realidade, o general Cammaert e eu temos trabalhado de perto para estreitar a lacuna entre as duas partes na implementação operacional do Acordo de Hodeida”, disse ao jornal.

“Nossos encontros com todas as partes foram muito construtivos na semana passada. O plano do general Cammaert era ficar no Iêmen por um pequeno período de tempo, ativar o Comitê de Coordenação para Remobilização (RCC) e abrir caminho para a criação da missão de Hodeida”, acrescentou.

O enviado especial afirmou ser “importante não perder de vista o plano geral necessário para resolver o conflito no Iêmen. Um panorama que irá desenhar um mapa em direção a um acordo político irá nos fornecer uma base para o fim; esta é a solução política para o conflito lá.”

Ele acrescentou que “nós vimos as duas partes demonstrarem memorável disposição política, primeiro para alcançar o acordo de cessar-fogo, e então para cumpri-lo. O que precisamos ver agora é a implementação das provisões do acordo, total e rapidamente.”

Griffiths reconheceu que “nós tivemos os prazos para implementação estendidos, tanto em Hodeida, quanto no acordo para troca de prisioneiros. Tais mudanças em cronogramas são esperadas. Os cronogramas iniciais eram muito ambiciosos. Nós estamos lidando com uma situação complexa.”