Apesar de produção instável, comércio mundial de alimentos pode bater recorde em 2014, diz FAO

Agência da ONU aponta clima, queda nos preços e crise política ucraniana como complicadores na previsão da produção alimentícia.

Mulher seleciona alimentos em feira. Segundo primeiro relatório semestral da FAO, países emergentes – especialmente os asiáticos – mantêm comércio de alimentos aquecido. Foto: ONU

Mulher seleciona alimentos em feira. Segundo primeiro relatório semestral da FAO, países emergentes – especialmente os asiáticos – mantêm comércio de alimentos aquecido. Foto: ONU

Após divulgação do seu relatório semestral – a primeira grande previsão sobre a produção alimentícia para o ano – nesta quinta-feira (8), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou que as condições meteorológicas, a queda dos preços dos insumos e as tensões políticas na Crimeia, na Ucrânia, tornaram os mercados de alimentos mais imprevisíveis.

Graças aos preços menores e a variações climáticas como o El Niño, a FAO aponta para a possibilidade de uma produção mundial menor de arroz no ano, com decréscimo mais acentuado na Ásia.

A queda, entretanto, não impossibilitará o comércio global de atingir níveis recordes, dada a oferta ainda abundante e a voracidade nas importações de países como Bangladesh e Indonésia.

Ao que tudo indica, a produção de carnes e lacticínios aumentará, respectivamente, em 1,1% e 1,8% no ano, devido à demanda ainda alta dos países em desenvolvimento e, no caso do leite, das nações asiáticas.

Existem diferenças profundas nas projeções comerciais de acordo com as variedades de carne, com carne de vaca e de aves em ascensão e a ovina e a suína em declínio. A carne de aves ainda é o principal produto comercializado, com 43% do total do mercado, seguida pela carne bovina, suína e ovina, respectivamente.

Juntamente com o relatório, a FAO divulgou também seu Índice de Preços dos Alimentos, que mede a variação média e individual nos preços de diversos artigos alimentícios.

A média de preços caiu 1,6% de março para abril, e 3,5% em relação a abril de 2013. Leite, açúcar e óleo vegetal tiveram as quedas mais expressivas, enquanto cereais e carnes ficaram mais caros.