Apesar de melhora da economia, desemprego em Gaza permanece alto

Refugiados – 62% da força de trabalho – ocupam menos de 20% dos novos postos de trabalho no setor público e cerca de 55% no setor privado, aponta estudo da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos.

Pescadores em Gaza

A taxa de desemprego entre os refugiados registrados nas Nações Unidas na Faixa de Gaza, Território Palestino Ocupado, é de 33,8%. O dado indica que a participação deste segmento da população no mercado de trabalho tem diminuído, apesar do crescimento no setor de construção, revelou nesta quarta-feira (7/12) um novo relatório.

O relatório, elaborado pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), tem como base uma comparação de indicadores macroeconômicos em Gaza para o primeiro semestre com os do período equivalente em 2010. O documento afirma que há 1.430 refugiados a mais empregados no setor público e cerca de 18.670 no setor privado, um ganho real de cerca de 20.100 postos de trabalho.

O aumento do número de empregos, no entanto, não acompanha o robusto crescimento da população em Gaza. Refugiados contabilizaram menos de 20% dos trabalhadores ocupando novos postos de trabalho no setor público e cerca de 55% no setor privado. Os refugiados respondem por cerca de 62% da força de trabalho de Gaza.

O relatório também constatou que houve um aumento do emprego privado como resultado da “ampliação da importação de materiais essenciais à construção e outros insumos produtivos.”

A ONU estima que 46.500 toneladas de materiais de construção chegou através do cruzamento de Kerem Shalom de Israel para Gaza em setembro, enquanto 90 mil toneladas vieram através dos túneis.
9.195 toneladas de cimento chegou através de Kerem Shalom, enquanto 90 mil toneladas de commodities foram trazidas através dos túneis. Estima-se que 1.418 toneladas de barras de aço veio através de Kerem Shalom e 15 mil toneladas foram importadas para Gaza através dos túneis.

Apesar do abrandamento das restrições do bloqueio ilegal imposto por Israel, os controles rígidos dos cruzamentos de Israel em Gaza são um fator significativo no crescimento da “economia do túnel”, segundo a UNRWA.