Apesar de expansão, rede de proteção social falha em atingir os mais pobres, diz Banco Mundial

Segundo relatório do organismo, quase 900 milhões das pessoas abaixo da linha de pobreza não desfrutam de medidas públicas de segurança social. Brasil é citado como exemplo a ser seguido.

Favela em Porto Alegre. Apesar dos altos índices de pobreza, Brasil é mencionado pelo Banco Mundial como detentor de um dos programas mais amplos de segurança social do mundo. Foto: Tetraktys (Creative Commons)

Favela em Porto Alegre. Apesar dos altos índices de pobreza, Brasil é mencionado pelo Banco Mundial como detentor de um dos programas mais amplos de segurança social do mundo. Foto: Tetraktys (Creative Commons)

De acordo com um relatório do Banco Mundial divulgado esta semana, apesar do grande crescimento dos programas de segurança social em todo o mundo, mais de dois terços das pessoas mais pobres – aquelas que vivem com menos de 1,25 dólar por dia – permanecem sem cobertura. A rede social brasileira, entretanto, é elogiada.

“Em média, os países em desenvolvimento gastam 1,6% de seu PIB em redes de segurança social”, disse o diretor de Proteção Social e Trabalho do Banco Mundial, Arup Banerji. “É uma percentagem baixa comparada com outras medidas de políticas públicas não direcionadas aos mais pobres, como subsídios aos combustíveis.”

Segundo o documento, intitulado “Situação das Redes de Segurança Social 2014”, as nações mais pobres – onde 47% da população vive em extrema pobreza – são as que apresentam maiores deficiências na cobertura social. Os emergentes China, Índia e Brasil, contudo, são líderes em investimentos públicos nos seus cidadãos menos favorecidos.

“[Esses países] têm os programas mais amplos de redes de segurança social do mundo e representam quase a metade da cobertura global”, disse Banerji. “Os países de baixa renda estão aprendendo com sua experiência. Se as redes sociais forem bem estabelecidas, é possível fechar o hiato e atingir 1,2 bilhão de pessoas que vive em extrema pobreza no mundo.”

Os programas de redes de segurança social incluem transferências monetárias e em espécie a domicílios pobres e vulneráveis, com o objetivo de proteger famílias contra o impacto de choques econômicos, desastres naturais e outras crises, assegurar a saúde e educação de suas crianças, empoderar mulheres e meninas e gerar empregos.