Apesar de avanços políticos e de segurança, situação humanitária se agrava na Somália

Mais de 3 milhões de pessoas precisam de assistência e 1 milhão está em situação de insegurança alimentar. ONU condenou recentes atentados que ameaçam a paz e o suprimento de alimentos.

Um menino leva uma caixa de alimentos de um centro de distribuição em Afgoye, Somália. Foto: UA/ONU/IST/Tobin Jones

Um menino leva uma caixa de alimentos de um centro de distribuição em Afgoye, Somália. Foto: UA/ONU/IST/Tobin Jones

O enviado especial das Nações Unidas para a Somália alertou esta semana que, apesar dos progressos políticos e de segurança, a situação humanitária no país se deteriorou, com mais de 3 milhões de pessoas atualmente em necessidade de assistência, entre as quais um milhão em situação de insegurança alimentar.

“Nós temos mais de um milhão de pessoas em necessidade urgente de assistência. Dentre elas, nós temos 250 mil crianças. E, entre estas, temos 50 mil crianças que estão à beira da morte, caso não seja oferecida assistência agora”, disse o coordenador humanitário da ONU para o Chifre da África, Philippe Lazzarini.

Um período de seca agravou o já difícil panorama humanitário do país, que há mais de duas décadas vive sob situação de insegurança. O grupo terrorista al-Shabaab foi expulso de algumas cidades, mas bloqueou rotas de suprimento de alimentos em partes do país.

Na última quarta-feira (15), um restaurante popular da cidade de Mogadíscio foi atacado por um carro-bomba. Pelo menos cinco pessoas morreram, no segundo ataque do tipo em apenas uma semana. Outro atentado matou pelo menos 13 pessoas, na segunda-feira (13), aumentando as preocupações do impacto das ações terroristas sobre a paz no país.

O representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, Nicholas Kay, condenou fortemente o ataque e pediu uma resposta rápida que leve os responsáveis à justiça.

Recentes progressos militares contra o grupo terrorista permitiram ao governo da Somália, com apoio da Missão de Assistência das Nações Unidas na Somália (UNSOM), seguir uma agenda de paz e de construção do Estado, fortalecimento do setor de segurança do país, promoção do respeito pelos direitos humanos e pelo empoderamento das mulheres e apoio à coordenação do auxílio internacional à nação africana.