Apesar da insegurança, ONU aumenta ajuda para milhares de pessoas que fogem da Nigéria

De acordo com o ACNUR, ataques violentos na região já deslocaram cerca de 650 mil pessoas; 8 mil fugiram para áreas remotas no Camarões desde maio.

Cerca de 25% das crianças que chegam em Camarões apresentam desnutrição, um índice muito superior ao limiar de emergência. Foto: ACNUR

Cerca de 25% das crianças que chegam em Camarões apresentam desnutrição, um índice muito superior ao limiar de emergência. Foto: ACNUR

Com milhares de famílias sendo expulsas dos seus lares pela propagação da violência na região nordeste da Nigéria, as agências da ONU e os seus parceiros vão fornecer ajuda humanitária para aqueles que cruzaram a fronteira para o Camarões.

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a frequência dos ataques violentos na região já deslocou cerca de 650 mil pessoas de Adamawa, Yobe e Borno, entre elas 8 mil pessoas que procuraram refúgio em áreas remotas no Camarões desde o último mês de maio.

Esses nigerianos fogem de grupos armados que têm causado a destruição por todo o país, incluindo a queima de casas e o sequestro de pessoas, entre elas as 200 estudantes raptadas em um vilarejo Borno, em abril de 2014.

Apesar de as comunidades locais fornecerem comida e abrigo, os suprimentos estão acabando e os deslocados começam a apresentar sinais de desnutrição. Um relatório divulgado no final de junho mostrou número alarmantes, principalmente entre as crianças, que apresentam uma taxa de desnutrição de 25%, muito acima dos 15% do limiar de emergência.

Por conta do deslocamento massivo, essa é a primeira vez que o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) tem operado em localidades tão perto da fronteira com a Nigéria, onde a situação de segurança é “volátil”.

Na primeira ronda de distribuição de comida, a agência alcançou cerca de 7,5 mil pessoas, entre elas todas as crianças menores de cinco anos, grávidas e mulheres amamentando.

Clínicas locais de saúde também receberam produtos nutricionais especiais para reduzir a desnutrição entre os refugiados. A agência e seus parceiros estão planejando assistir com alimentos mais de 50 mil pessoas deslocadas até o final do ano.