Apesar da crise, ONU elogia progressos significativos para ajudar as crianças da Síria

O projeto “Nenhuma Geração Perdida” destacou “progressos significativos” para levar ajuda humanitária e promover educação entre as crianças deslocadas.

As equipes de saúde estão realizando um levantamento nutricional em 96 casas na área de Adana. Foto: UNICEF/Yurtsever

As equipes de saúde estão realizando um levantamento nutricional em 96 casas na área de Adana. Foto: UNICEF/Yurtsever

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) declarou nesta quarta-feira (25) que os esforços para alcançar e ajudar as crianças sírias afetadas por quase quatro anos de conflito no país estão progredindo, acrescentando que ainda há muito trabalho a ser feito já que uma geração inteira de jovens sírios continua em risco.

O anúncio veio através da iniciativa “Nenhuma geração perdida”, um projeto apoiado pelo UNICEF que divulgou seu novo relatório em uma reunião da Assembleia Geral da ONU. O documento registrou a assistência educacional para aproximadamente 770 mil crianças sírias afetadas pela violência e destacou que outras 660 mil crianças receberam apoio psicológico.

Na apresentação, o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake, ressaltou a importância de ajudar as crianças durante os períodos de guerra e sublinhou que os jovens da Síria são os pilares do futuro do país. “Ajudar as crianças sírias é investir no futuro. As crianças de hoje são os médicos, professores, advogados e líderes de amanhã”, declarou.

Entre as vulnerabilidades desta geração de crianças sírias, o relatório lembrou que mais de um milhão de jovens ainda estão presos em locais de difícil acesso, onde vivem em escombros e têm muita dificuldade para encontrar comida, cuidados médicos e apoio psicológico. Ele também divulgou que 1,2 milhão de crianças estão em outros países, lotando os campos de refugiados que se mantêm com recursos escassos.

Progressos significativos

Apesar das dificuldades, o projeto “Nenhuma geração perdida” concluiu que as comunidades de acolhimento e outros parceiros conseguiram fazer “progressos significativos” para chegar a estas crianças deslocadas com ajuda humanitária.

Entre os progressos, destacaram as matrículas nas escolas formais e não formais que tiveram um aumento de 188,5% desde 2013 e o fato de as 128 mil crianças frequentarem clubes escolares nas áreas de conflito. Além disso, 72 mil crianças dentro do país e 587 mil refugiadas receberam apoio psicossocial.

No entanto, o relatório alertou que os adolescentes são particularmente vulneráveis e sem acesso a recursos e serviços, ficando expostos à atração de grupos armados. “É preciso agir de forma firme e urgente para impedir que eles possam sucumbir à violência. Investir nesta geração é ajudá-los a adquirir as habilidades e conhecimentos necessários para reconstruírem suas comunidades quando a paz retornar”, afirmou Lake.