Apenas metade das mulheres em idade economicamente ativa participa do mercado de trabalho, diz ONU

Entres os homens, a taxa é de 76%, segundo dados divulgados pela ONU Mulheres nesta terça-feira (7). Outro aspecto da desigualdade de gênero no mercado de trabalho é a disparidade salarial. Em média, homens ganham 23% a mais do que as mulheres. Além de se dedicarem a atividades produtivas remuneradas, mulheres também se ocupam em atividades domésticas, familiares e de cuidados sem receber nada por isso, gastando até 2,5 vezes mais tempo nessas tarefas do que os homens.

Mãe e filha em centro de cuidado infantil no Uruguai. Foto: ONU Mulheres/Agostina Ramponi

Mãe e filha em centro de cuidado infantil no Uruguai. Foto: ONU Mulheres/Agostina Ramponi

Apenas 50% das mulheres em idade economicamente ativa participam do mercado de trabalho. Entre os homens, o índice sobe para 76%. Outro aspecto da desigualdade de gênero é a disparidade salarial. Em média, homens ganham 23% a mais do que as mulheres.

Os números foram divulgados pela ONU Mulheres nesta terça-feira (7), véspera do Dia Internacional das Mulheres. Para a agência das Nações Unidas, machismo e desigualdades estruturais estão por trás da dificuldade que as mulheres enfrentam para se inserir no universo do trabalho formal.

De acordo com o organismo internacional, a falta de acesso à educação de qualidade poderia explicar por que mulheres continham ganhando menos ou recorrendo a empregos informais para sobreviver. Contudo, a redução da desigualdade de gênero no ensino sugere que os problemas são outros.

Segundo a ONU Mulheres, é a discriminação de gênero que leva mulheres a ocupar postos mais precários, com menor remuneração ou informais. A mão de obra feminina nem sempre conta com políticas públicas ou medidas do próprio setor privado que favoreçam um equilíbrio adequado entre o trabalho e atividades familiares.

A situação preocupa a agência da ONU, sobretudo porque mulheres gastam 2,5 vezes mais tempo do que os homens com tarefas domésticas e de cuidado que não são remuneradas. Horários de trabalho rígidos e licenças parentais limitadas são alguns dos fatores que obrigam as mulheres a trabalhar em tempo parcial ou, inclusive, a abandonar o mercado de trabalho durante longos períodos.

Entre a parcela menos qualificada, é comum a saída da formalidade para setores não regulamentados, como o trabalho no comércio ambulante, na agricultura de subsistência ou como empregada doméstica.

Além de receberem menos nesses postos, mulheres ficam desprovidas da proteção da lei e de benefícios sociais como pensões, auxílio-doença ou assistência de saúde.

Em todo o mundo, 57% dos empregados e empregadas domésticos trabalham sem limite de horas.

Pela natureza do trabalho que desempenham, as mulheres muitas vezes estão fora do âmbito dos movimentos sindicais e das proteções garantidas por organizações trabalhistas. As Nações Unidas consideram que a capacidade das mulheres para se organizar nos locais de trabalho e comunidades é um elemento indispensável à defesa dos seus direitos.

As consequências das desigualdades de gênero não só marginalizam as mulheres, como também têm um custo. Segundo a ONU Mulheres, o Produto Interno Bruto (PIB) global poderia aumentar em 28 bilhões de dólares até 2025, caso países combatam a disparidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

Soluções

Para reverter esse cenário, a ONU Mulheres recomenda a criação e o cumprimento de leis que garantam a igualdade salarial para trabalhos de igual valor. Políticas públicas também devem estabelecer licenças parentais remuneradas e voltadas tanto para pais quanto para mães. Outra medida é investir na oferta de serviços de cuidado infantil.

A agência também aponta ser necessário ampliar a proteção social e o salário mínimo, além de promover a transição plena para a formalidade laboral, tal como previsto pela Recomendação nº 204 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O organismo das Nações Unidas também convoca Estados-membros a ratificar a Convenção 189 da OIT sobre trabalhadoras e trabalhadores domésticos.

A respeito da participação em sindicatos e organismos que têm influência sobre políticas trabalhistas, a ONU Mulheres recomenda a paridade de gênero na divisão dos cargos que envolvem a tomada de decisões.