Apenas 1 em cada 5 países tem estratégia de saúde para enfrentar mudanças climáticas

Proteger a saúde das pessoas dos perigos das mudanças climáticas, como estresse por calor, tempestades e tsunamis, nunca foi tão importante, mas a maioria dos países está fazendo muito pouco a esse respeito, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira (3).

Dos países que realizaram uma análise das ameaças climáticas para a saúde da população, os riscos mais comuns foram: estresse por calor e ferimentos ou morte por eventos climáticos extremos.

Também foram apresentados problemas de segurança alimentar e hídrica, além de doenças transmitidas por vetores, como cólera, dengue ou malária.

Mãe e bebê em um centro de acomodação na Beira, em Moçambique, onde sua filha de 2 anos recebe tratamento para malária. Foto: UNICEF/James Oatway

Mãe e bebê em um centro de acomodação na Beira, em Moçambique, onde sua filha de 2 anos recebe tratamento para malária. Foto: UNICEF/James Oatway

Proteger a saúde das pessoas dos perigos das mudanças climáticas, como estresse por calor, tempestades e tsunamis, nunca foi tão importante, mas a maioria dos países está fazendo muito pouco a esse respeito, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na terça-feira (3).

Em sua primeira avaliação global com mais de 100 países participantes, a agência da ONU descobriu que, embora cerca de metade deles tenha desenvolvido uma estratégia sobre o assunto, menos de um em cada cinco está investindo o suficiente para implementar todos os seus compromissos.

“A mudança climática não está apenas gerando uma conta para as gerações futuras pagarem, é um preço pelo qual as pessoas estão pagando agora com sua saúde”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “É imperativo moral que os países apliquem os recursos necessários para agir contra as mudanças climáticas e protejam a saúde agora e no futuro.”

Dos países que realizaram uma análise das ameaças climáticas para a saúde da população, os riscos mais comuns foram: estresse por calor e ferimentos ou morte por eventos climáticos extremos.

Também foram apresentados problemas de segurança alimentar e hídrica, além de doenças transmitidas por vetores, como cólera, dengue ou malária.

Os riscos são claros

Apesar das descobertas dos países, cerca de 60% relataram que os dados tinham “pouca ou nenhuma influência” na alocação de recursos humanos ou financeiros para promover as mudanças necessárias a fim de proteger a saúde da população.

A integração da saúde nos processos climáticos nacionais e internacionais pode ajudar a acessar os fundos necessários, sugeriu a OMS.

Embora dois terços das contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) dos países que entraram no Acordo de Paris em 2015 mencionem a saúde como parte dos esforços para combater as mudanças climáticas e acelerar as ações necessárias para um futuro sustentável de baixa emissão de carbono, “isso não resultou no nível necessário de implementação e suporte”, observou a pesquisa.

Um milhão de vidas salvas anualmente

Pesquisas anteriores da OMS descobriram que a redução das emissões de carbono, de acordo com o Acordo de Paris, poderia salvar cerca de 1 milhão de vidas por ano em todo o mundo até 2050, apenas por meio da contenção da poluição do ar.

Mas muitos países não conseguem aproveitar esse potencial, insistiu a agência da ONU, com base em dados que mostram que menos de um em cada quatro é capaz de demonstrar cooperações entre a saúde e os principais setores responsáveis pela mudança climática e poluição do ar, como transporte, produção elétrica e de energia para uso doméstico.

Por outro lado, o nível mais alto de colaboração em questões de políticas de saúde e clima está nos serviços de água, saneamento e águas residuais (45 de 101 entrevistados), seguido pela agricultura (31 de 101) e serviços sociais (26 de 101).

Saúde deve ser priorizada

A OMS também observou que os ganhos em saúde que resultariam no corte de emissões de carbono raramente se refletem nos compromissos nacionais do clima, com apenas um quinto das NDCs dos países mencionando a saúde no contexto de reduções de emissões, e apenas uma em cada dez NDCs citando os ganhos esperados em saúde.

“Para que o Acordo de Paris seja eficaz em proteger a saúde das pessoas, todos os níveis de governança precisam priorizar a construção de resiliência do sistema de saúde às mudanças climáticas, e um número crescente de governos nacionais está claramente indo nessa direção”, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente para Mudanças Climáticas e Saúde da OMS.

“Ao incluir sistematicamente a saúde nas NDCs – assim como nos planos nacionais de adaptação, nas promessas de financiamento para o clima e em outras comunicações nacionais para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) – o Acordo de Paris pode se tornar o mais forte tratado internacional de saúde do século”, pontuou Neira.