António Guterres pede solução política para a crise na Síria

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Em coletiva de imprensa no Egito, secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu soluções políticas para a Síria e lembrou que a proteção de refugiados é responsabilidade de toda a comunidade internacional.

Secretário Geral António Guterres (esquerda) com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, em coletiva de imprensa no Cairo. Foto: OSSG

Secretário Geral António Guterres (esquerda) com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, em coletiva de imprensa no Cairo. Foto: OSSG

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reiterou hoje (15) o comprometimento com a luta contra o terrorismo e defendeu a importância de soluções políticas para a crise na Síria, lembrando que apoia vigorosamente as negociações internas do país, que devem começar no fim do mês em Genebra.

Ele conversou com a imprensa no Cairo, depois de se encontrar com o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi.

Guterres afirmou que os países da região que têm abrigado refugiados da Síria e do Iraque – em especial Líbano, Jordânia, Turquia e Egito – não estão recebendo apoio da comunidade internacional e da Europa. Ele lembrou que a proteção dos refugiados não é responsabilidade apenas dos países vizinhos, mas de toda a comunidade internacional.

O secretário-geral disse ainda que o Conselho de Segurança “é muito importante para reconhecer que a Organização das Nações Unidas será o que os Estados- membros permitam que ela seja”.

Guterres reforçou seu compromisso pessoal de reformar o Secretariado da ONU e ajudar a criar uma efetiva coordenação e responsabilidade nos diferentes organismos da Organização para fortalecer a reputação da instituição em nível global.

Na coletiva de imprensa, ele afirmou ainda que não há “Plano B” para a solução de dois Estados para palestinos e israelenses. “Tudo deve ser feito para preservar essa possibilidade.”

Em Omã, busca pela paz no Oriente Médio

Em Omã, Guterres expressou na terça-feira (14) o seu apoio ao país, que está na vanguarda dos esforços de mediação para resolver os conflitos regionais.

“Esta é a minha primeira visita à região, e o objetivo é poder consultar o governo de Omã para ver como eu posso ser útil, reconhecendo que são os Estados-membros e as pessoas que têm a liderança de levar a paz à região”, disse Guterres a jornalistas, após reunião com o ministro das Relações Exteriores do país, Yusuf bin Alawi bin Abdullah.

“Como posso ser útil para apoiar todos aqueles que, como Omã, sempre estiveram na linha de frente na mediação, tentando reunir as partes em conflito e garantir que a paz seja possível?”, acrescentou.

Sobre o conflito no Iêmen, Guterres disse que fará o que tiver ao seu alcance para servir e apoiar os esforços de todos aqueles que querem que a paz seja restabelecida na região. “São pessoas generosas que estão sofrendo tanto”, frisou.

Em Dubai, Guterres defende reforma para restabelecer confiança

“O mundo enfrenta uma terrível falta de confiança”, afirmou o secretário-geral na segunda-feira (13) durante a Cúpula Mundial de Governos, em Dubai, nos Emirados Árabes. Na ocasião, ele pediu a reconciliação entre as pessoas, os governos e instituições multilaterais globais.

“Melhorar a governança e a confiança entre os governos é essencial e é pré-requisito para melhorar a confiança nas relações entre os países”, sublinhou.

Guterres afirmou que a globalização trouxe “aumento de riqueza e redução da extrema pobreza”, mas, por outro lado, fez com que muitas pessoas se sentissem esquecidas.

“Se olharmos para os problemas atuais de governança nos níveis nacional, entre países ou na governança multilateral no mundo, nós perceberemos uma terrível falta de confiança”, disse.

“Precisamos de respostas globais, e as respostas globais necessitam de instituições multilaterais capazes de desempenhar o seu papel”, acrescentou, apelando por “um aumento da diplomacia pela paz” com “agentes honestos” e capazes de enfrentar as causas do conflito e responder de maneira adequada.

Ele ainda afirmou estar empenhado em reformas “essenciais” que tornem a ONU ainda mais eficaz, tais como melhorias nas operações de paz e segurança, na gestão da organização e reformas do sistema de desenvolvimento das Nações Unidas.

“O Conselho de Segurança não corresponde mais à lógica do mundo de hoje em relação ao que era o mundo depois da Segunda Guerra Mundial, quando a ONU e seu órgão principal para a manutenção da paz e segurança foram criados”, destacou.

A passagem por vários países árabes é a primeira grande viagem do secretário-geral da ONU desde que assumiu o cargo, no dia 1º de janeiro.


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