António Guterres detalha medidas para tornar a ONU mais eficaz

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Apontando que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é a “agenda mais robusta para a humanidade” e requer mudanças igualmente ousadas no sistema de desenvolvimento das Nações Unidas, o secretário-geral da organização, António Guterres, descreveu as etapas para tornar a ONU mais eficaz na produção de resultados tangíveis para as pessoas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) o seu relatório ‘Reposicionando o sistema de desenvolvimento da ONU para cumprir a Agenda de 2030 – Garantir um futuro melhor para todos’. Foto: ONU/Kim Haughton

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) o seu relatório ‘Reposicionando o sistema de desenvolvimento da ONU para cumprir a Agenda de 2030 – Garantir um futuro melhor para todos’. Foto: ONU/Kim Haughton

Apontando que a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é a “agenda mais robusta para a humanidade” e requer mudanças igualmente ousadas no sistema de desenvolvimento das Nações Unidas, o secretário-geral António Guterres descreveu na semana passada (5) as etapas para tornar a Organização mais eficaz na produção de resultados tangíveis para as pessoas.

“Precisamos mudar para garantir a promessa do desenvolvimento sustentável, dos direitos humanos e da paz para nossos netos. Não temos tempo a perder”, disse Guterres ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC).

“O sistema de desenvolvimento da ONU, portanto, deve estar muito mais integrado [e alinhado] em nossa resposta […] para trabalhar perfeitamente em setores e especializações – e fazê-lo de forma mais eficaz.”

Guterres observou que o seu relatório ao Conselho – em que trata do “reposicionamento” do sistema de desenvolvimento das Nações Unidas – é um componente integral da agenda de reforma mais ampla da ONU para melhor atender aos desafios complexos e interligados do mundo.

Ele acrescentou que suas ideias e propostas visam a estimular novas discussões no Conselho e solicitar os pontos de vista dos Estados-membros sobre uma série de áreas-chave. Um relatório mais detalhado será enviado em dezembro.

Oito ideias orientadoras

António Guterres destacou oito principais áreas orientadoras para as reformas propostas. O primeiro é acelerar a transição do sistema de desenvolvimento das Nações Unidas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para a Agenda 2030 e, ao mesmo tempo, fechar lacunas e melhorar as habilidades.

“Devemos ser capazes de fornecer conselhos, agrupar conhecimentos e ajudar os governos a implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), bem como ajudar a convocar os parceiros que eles precisam para levar à frente as ações”, disse o chefe da ONU.

Ele também destacou a necessidade de um foco mais forte no financiamento do desenvolvimento para ajudar os governos a melhor aproveitar o financiamento, além de trabalhar com uma ampla gama de atores, incluindo o setor privado, instituições financeiras internacionais e outros parceiros.

Outra área de foco é aumentar a eficácia das equipes de país da ONU – que compõem todas as agências da ONU que operam em um determinado país – para desenvolver os pontos fortes das agências individualmente, ao mesmo tempo em que trabalham com maior coerência, unidade e responsabilidade.

Ele também sublinhou a necessidade de “desvincular” as funções dos coordenadores-residentes das Nações Unidas dos representantes-residentes do PNUD, para permitir uma análise e planejamento mais efetivos e integrados a nível nacional, de modo a abranger as dimensões do desenvolvimento sustentável.

Além disso, ele observou que os esforços de reforma ocorrerão nos escritórios das sedes, igualmente, para assegurar que não sejam criadas novas burocracias ou superestruturas.

Para esse fim, ele anunciou que a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, foi encarregada de supervisionar e fornecer orientação estratégica ao Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas, bem como liderar um Comitê Diretivo para fortalecer a coerência entre ação humanitária e o trabalho de desenvolvimento.

Outras áreas de foco incluíram o fortalecimento de uma voz de política da ONU mais coesa no nível regional; o reforço da responsabilidade do sistema de desenvolvimento das Nações Unidas; e a garantia de estruturas de financiamento eficazes e eficientes que ofereçam uma maior relação custo-benefício, bem como um maior monitoramento dos resultados do sistema.

Observando que o sucesso das reformas seria visto em resultados tangíveis na vida das pessoas atendidas pela Organização, o secretário-geral disse que muitas das questões levantadas no relatório exigiriam um exame mais aprofundado. Ele afirmou que trabalhará com os Estados-membros sobre esse assunto.

“Reposicionar o sistema de desenvolvimento da ONU é nossa responsabilidade compartilhada […] Estou convencido de que, juntos, podemos dar os passos ousados que a nova Agenda exige e que a humanidade merece”, afirmou.


Comente

comentários