Angola e Moçambique devem ultrapassar média africana em aumento de jovens

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Relatório do UNICEF revela que fenômeno pode ocorrer até 2050; mudança demográfica na África vai precisar de investimentos em áreas como saúde e educação.

UNICEF quer que crianças e mulheres africanas sejam protegidas da violência, da exploração e do abuso. Imagem: UNICEF

UNICEF quer que crianças e mulheres africanas sejam protegidas da violência, da exploração e do abuso. Imagem: UNICEF

Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, revela que até 2100 os africanos serão 40% da população mundial.

O documento lançado no final de outubro (26) simultaneamente em Joanesburgo, Dacar e Nairóbi defende que essa mudança demográfica requer investimentos em áreas como saúde e educação para evitar crises humanitárias.

O relatório “Geração 2030 – África priorizando investimentos em crianças para colher o dividendo demográfico” prevê que, até 2055, o continente terá 1 bilhão de crianças, o equivalente a quase 40% do total global.

Em 2050, 38% da população africana terá menos de 18 anos. A proporção nos países lusófonos será mais alta em Angola com 44% de jovens, seguida de Moçambique com 41%. Em São Tomé e Príncipe, a percentagem será de 38%, na Guiné-Bissau 37% e em Cabo Verde 23%.

O chefe de Comunicação do UNICEF para a África Ocidental e Central, Thierry Delvigne-Jean, disse que será um grande desafio atingir padrões mínimos de saúde e educação, uma missão que “vai requerer grandes esforços”.

“Não só nos países lusófonos mas em todos os países. Estamos falando de um fenômeno no continente inteiro. Um dado importante do relatório é que o continente vai precisar de mais 11 milhões de pessoas qualificadas em saúde e educação somente na próxima década. É um número enorme. Estamos a falar de 5 milhões de novos profissionais de saúde e 5 milhões de novos professores só para alcançar os padrões mínimos.”

Todos os países africanos de língua portuguesa estão abaixo do padrão mínimo de 4.45 prestadores de serviços de saúde por mil habitantes, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde. São Tomé e Príncipe tem 2,6; Angola 1,6; Cabo Verde 0,9; Guiné-Bissau 0,7; e Moçambique 0,5.

Sistemas de saúde

Segundo o estudo, na África deve ocorrer metade do aumento de 2,2 bilhões de habitantes projetado para a população mundial entre 2015 e 2050.

O documento recomenda que políticas para ajustar os serviços essenciais e reforçar sistemas de saúde e elevar a proteção social a padrões internacionais ou além do mínimo.

A outra recomendação é que sejam transformados os sistemas educacionais, de habilidades e de aprendizagem vocacional além do reforço de sistemas e de currículos do setor dando acesso à tecnologia.

O UNICEF quer ainda que se protejam as crianças e mulheres africanas da violência, da exploração e do abuso, especialmente o casamento infantil e de outras práticas abusivas, estimulando a sua ação comunitária no trabalho e na política.

A agência da ONU registra progressos no continente: desde 1990, a taxa de mortalidade em crianças menores de cinco anos caiu de um em cada seis para uma em cada 14; metade dos partos ocorre com assistentes qualificados.

O outro marco dos últimos 17 anos é que o número de crianças com acesso ao ensino primário mais do que duplicou.

Acesse a publicação clicando aqui.

(Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.)


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