América Mineiro doa artigos esportivos para escolinha de venezuelanos e brasileiros em Boa Vista

Toda semana, mais de cem crianças do Brasil e da Venezuela trocam as suas tardes nas ruas de Boa Vista (RR) por aulas de futebol na escolinha do treinador venezuelano Luis Madrid. Na última terça-feira (12), o treino recebeu uma visita especial da comissão técnica do América Futebol Clube de Minas Gerais. Time doou para as crianças do projeto cerca 150 artigos esportivos – entre camisas, shorts, meiões e bolas.

Venezuelanos e brasileiros jogam lado a lado no projeto do técnico Madrid. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

Venezuelanos e brasileiros jogam lado a lado no projeto do técnico Madrid. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

Toda semana, mais de cem crianças do Brasil e da Venezuela trocam as suas tardes nas ruas de Boa Vista (RR) por aulas de futebol na escolinha do treinador venezuelano Luis Madrid. Na última terça-feira (12), o treino recebeu uma visita especial da comissão técnica do América Futebol Clube de Minas Gerais. Time doou para as crianças do projeto cerca 150 artigos esportivos – entre camisas, shorts, meiões e bolas.

A equipe mineira foi a Roraima disputar uma partida oficial da primeira fase da Copa do Brasil. Antes de embarcar, o América procurou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para organizar uma atividade voltada para a população venezuelana que vive na capital. O ACNUR sugeriu uma ação com a equipe do professor Madrid, e o América resolveu surpreender o mentor da escolinha e seus alunos com as doações.

Numa típica tarde ensolarada de Boa Vista, Madrid organizou uma partida com mais de 20 meninos e meninas no campo do projeto, localizado atrás da Rodoviária Internacional da cidade. No final da partida, o treinador e as crianças foram surpreendidos com a entrega dos materiais esportivos.

A presença de atletas profissionais, que jogaram com as crianças, animou os treinos. A iniciativa também renovou as energias do treinador e da equipe, transmitindo uma mensagem de acolhimento aos venezuelanos e venezuelanas que estão na capital de Roraima.

A escolinha é mantida por Madrid com o apoio do ACNUR e do Fundo de População das Nações Unidas (UNPFA). As agências da ONU prestam assistência por meio de um projeto implementado com a União Europeia.

Venezuelanos e brasileiros jogam lado a lado no projeto do técnico Madrid. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

Venezuelanos e brasileiros jogam lado a lado no projeto do técnico Madrid. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

Aos 41 anos de idade, Madrid fez do Brasil a sua casa. Ele respira futebol desde os sete anos e trabalhou como treinador juvenil de alguns clubes e da própria seleção venezuelana. O técnico mantém o projeto de futebol de forma voluntária, com a ajuda também de outras organizações, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Quando perguntado qual é a maior motivação para continuar com a escolinha, Madrid, que já foi presidente da Liga Nacional de Futebol Menor na Venezuela, afirma que “o projeto é focado nas crianças que não teriam uma oportunidade como essa, de usar o tempo delas com algo bom”. “Porque esporte é vida, é educação, é uma das artes mais belas do mundo”, defende o venezuelano.

A ação do “Coelho”, como o América mineiro é conhecido, fortaleceu a mensagem da campanha “Histórias em Movimento”, lançada pelo ACNUR, UNFPA e União Europeia para combater a xenofobia e levar brasileiros e brasileiras a se colocar no lugar de refugiados e migrantes que vêm da Venezuela.

Aulas têm sempre times mistos de meninos e meninas. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

Aulas têm sempre times mistos de meninos e meninas. Foto: ACNUR/Allana Ferreira

A visita do time de Minas contou com a presença não só dos jogadores, mas também de Luiz Kriwat, gerente de futebol do América, Felipe Conceição, ex-jogador e auxiliar técnico do Coelho, e Maickel Padilha, analista de desempenho. Também participaram os representantes do ACNUR e do UNFPA em Roraima, Gabriela Cortina e Igo Martini, respectivamente.

“A administração do clube sempre conversa sobre o impacto social que o esporte pode ter nas comunidades, e acreditamos que é trabalho de todos os clubes fazer algo para influenciar positivamente a sociedade”, defende Kriwat.

Os treinos da escolinha acontecem todas as segundas, quartas e sexta, com jogos recreativos nos sábados e domingos. As aulas são sempre feitas com times mistos de meninos e meninas.

Desde 2014, mais de 3 milhões de venezuelanos deixaram o seu país de origem, em meio ao maior êxodo de pessoas na história recente da América Latina. Muitas delas estão sendo forçadas a deixar sua terra natal por causa da violência, insegurança e falta de comida, remédios e serviços básicos.

Mais de 85 mil venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil e outros 10 mil obtiveram residência temporária no país. Atualmente, cerca de 6 mil moram nos abrigos apoiados pelo ACNUR e seus parceiros em Boa Vista e Pacaraima, além de vários outros que vivem em situação de vulnerabilidade.

“Acreditamos na coexistência pacífica entre venezuelanos e brasileiros, e esse projeto e o treinador Madrid são exemplos vivos de que isso é possível. Iniciativas como a do América Mineiro são essenciais para prosseguir com esse objetivo”, afirma Gabriela Cortina, do ACNUR.

”Algumas populações chegam em situação de maior vulnerabilidade, como é o caso de crianças, adolescentes e jovens. As agências da ONU têm trabalhado de maneira conjunta para atender a essas pessoas com dignidade e respeito e para que tenham garantidos seus direitos”, ressalta o coordenador do Escritório de Projeto do UNFPA em Roraima, Igo Martini.