América Latina é região mais hostil a ambientalistas, diz relator da ONU

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A ambientalista hondurenha e defensora dos direitos indígenas Berta Cáceres foi assassinada em casa, em março deste ano, na frente de um amigo. Todas as ameaças que recebeu por anos se tornaram, então, realidade. Berta lutou a vida toda pelo direito dos povos Lenca de viver em um ambiente seguro e saudável em seu próprio país, Honduras.

O assassinato de Berta não foi um caso isolado. Em 2014, três quartos dos 116 casos de assassinatos de defensores do meio ambiente e dos direitos humanos ocorreram na América Central e na América do Sul, segundo relator das Nações Unidas.

Homens armados entraram em março na casa de Berta Cáceres, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista. Foto: goldmanprize.org

Homens armados entraram em março na casa de Berta Cáceres, localizada na cidade de La Esperanza, oeste do país, e mataram a ativista. Foto: goldmanprize.org

A mãe de Laura, Berta Cáceres, foi morta em casa, em uma manhã de março, na frente de um amigo. Todas as ameaças que recebeu por anos se tornaram, então, realidade. Berta lutou a vida toda pelo direito dos povos Lenca de viver em um ambiente seguro e saudável em seu próprio país, Honduras.

“Minha mãe foi presa, desacreditada, ameaçada por sua luta na defesa da vida e contra o extrativismo”, disse recentemente Laura Zúñiga Cáceres na sede das Nações Unidas em Genebra. “Nossa luta é pela Mãe Terra, pela vida, e nesse combate estamos perdendo nossas vidas”, completou.

O assassinato de Berta em Honduras não foi um caso isolado. A América Latina é a região mais hostil a ambientalistas, disse o relator especial da ONU para os defensores dos direitos humanos, Michel Forst, em documento recente enviado à Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Em 2014, três quartos dos 116 casos de assassinatos de ativistas ambientais e de direitos humanos em 17 países — em média, mais de duas vítimas por semana — ocorreram na América Central e na América do Sul”, disse o especialista no documento.

“Por toda a América Latina e o Caribe, ativistas ambientais enfrentam os piores obstáculos em sua luta por um mundo mais sustentável: ameaças, assédios e intimidações são frequentemente parte da rotina. Em algumas áreas, seus esforços podem ser desacreditados e classificados como ‘antidesenvolvimento’. Em muitos casos, sua cruzada heroica para defender o planeta e os direitos humanos pode custar suas vidas.”

Além de Honduras, o relator citou Brasil, Colômbia, Guatemala, México e Peru como países que atraem cada vez mais indústrias extrativas e de mineração — que causam mais desflorestamento — e se tornaram perigosos para ambientalistas. A impunidade também é frequente em crimes contra defensores do meio ambiente, disse o documento. No caso do Brasil, o relator citou os ataques e assassinatos de defensores do meio ambiente e dos direitos dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul.

Os defensores do meio ambiente “não são apenas ambientalistas e ativistas pela terra, mas também defensores dos direitos humanos”, declarou Forst.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).


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