‘América Latina é exemplo de solidariedade com pessoas que fogem da violência e da perseguição’, afirma chefe do ACNUR

O Alto Comissário António Guterres durante a 59ª Conferência das Américas, em Washington, D.C. Foto: Transmissão ao vivo OEA

O alto comissário das Nações Unidas para refugiados, António Guterres, parabenizou os países da Organização dos Estados Americanos (OEA) por proteger as pessoas que fogem de conflitos. Em sua intervenção durante a 57ª Conferência das Américas, realizada na última semana, ele também ressaltou a necessidade de se avançar na solução dos desafios emergentes na região.

“A América Latina é um exemplo para o mundo de solidariedade com as pessoas que estão fugindo da violência e da perseguição”, disse Guterres em seu discurso. “O continente tem sido generoso em proteger os refugiados da região, assim como aqueles vindos de outras partes do mundo.”

Referindo-se especificamente à Declaração de Cartagena sobre Refugiados, adotada em 1984 em resposta às crises de refugiados da América Central, Guterres afirmou que “Cartagena” tornou-se uma marca humanitária. Ele lembrou que, no ano passado, os países do continente comemoraram o 30º Aniversário de Cartagena adotando a Declaração e Plano de Ação do Brasil.

A Declaração do Brasil e o Plano de Ação visam a abordar uma série de questões de proteção, incluindo o deslocamento forçado gerado pelo crime organizado transnacional, proteção no mar, apatridia, bem como outras preocupações regionais e globais de proteção.

Guterres afirmou que o plano lançado no Brasil oferece aos países da região um “marco estratégico para avançar na agenda de proteção e de soluções”, e convidou a OEA a aproveitar esta oportunidade para que a região expanda ainda mais sua atuação e se reafirme como exemplo global.

Para que isso aconteça, ele disse ser necessário um compromisso real por parte dos países da América Latina e do Caribe para implementar o acordo do Brasil, assim como o fortalecimento de parcerias e uma assistência efetiva e sustentável da América do Norte.

“O ‘espírito Cartagena’, como temos visto ao longo destes últimos 30 anos, está se tornando mais forte a cada aniversário, e é uma força significativa em ampliar e consolidar o papel de liderança das Américas”, disse Guterres. “Espero, portanto, que este espírito se mova para o norte, e que possamos ver a América do Norte se tornando parte integrante do processo de Cartagena + 40 em 2024.”