América Latina deve ter leve retomada do crescimento em 2017, prevê CEPAL

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

A economia dos países latino-americanos e caribenhos deve ter leve retomada do crescimento em 2017, previu nesta quarta-feira (14) a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Após dois anos consecutivos de queda, a região crescerá 1,3% no próximo ano, diante de um complexo cenário econômico internacional. Para o Brasil, a projeção é de leve avanço de 0,4% da economia no ano que vem, frente a um recuo de 3,6% previsto para 2016.

O valor do comércio exterior do país ao exterior terá queda de cerca de 16. Foto:APPA

Economia brasileira deve registrar retração de 3,6% este ano, prevê CEPAL. Foto: APPA

Após dois anos consecutivos de contração, a economia da América Latina e do Caribe terá um modesto crescimento de 1,3% em 2017, segundo novas projeções divulgadas nesta quarta-feira (14) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Para o Brasil, a projeção é de leve crescimento de 0,4%, frente a um recuo de 3,6% previsto para 2016.

O organismo regional da ONU divulgou seu “Relatório Anual: Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2016”, no qual enfatizou a necessidade de dinamizar o impulso do investimento público-privado para retomar o crescimento de curto e longo prazo e enfrentar os riscos e as crescentes incertezas do cenário internacional.

“Estamos em um ponto de inflexão. A América Latina e o Caribe voltarão a crescer, porém, de forma moderada e sem motores claros que os impulsionem. Sua recuperação será frágil enquanto forem mantidas as incertezas do contexto econômico, particularmente as tendências protecionistas recentemente observadas”, disse a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena em Santiago do Chile, durante coletiva de imprensa.

“Portanto, retomar o caminho do crescimento regional requer muita cautela e reverter a dinâmica do processo de investimento, o que demanda uma importante mobilização de recursos financeiros”, completou.

Segundo o relatório, a região finalizará 2016 com uma contração média de 1,1%. A América do Sul será a sub-região mais afetada, com uma queda de 2,4%, enquanto o Caribe terá uma contração de 1,7%. Já a América Central terá um crescimento de 3,6%.

O documento acrescentou ainda que a taxa de desemprego urbano mostrou tendência de alta e poderá terminar 2016 em 9% — bem acima da taxa de 7,4% registrada em 2015 — devido à diminuição da taxa de ocupação e ao aumento da taxa de participação.

A inflação, no entanto, apresentou níveis diferentes entre as sub-regiões. Na América do Sul, passou de 9,2% em setembro de 2015 para 10,9% em igual mês de 2016, enquanto nas economias da América Central e do México (como grupo) passaram a registrar uma inflação (acumulada nos 12 meses) de 2,5% em setembro de 2015 para 3,4% em setembro de 2016.

Sobre as projeções de crescimento para 2017, uma melhora nos preços das matérias-primas beneficiará o comércio sul-americano, favorecendo a sub-região cujo PIB deve crescer 0,9%, enquanto o Caribe crescerá 1,3%, principalmente devido à atividade turística. A América Central irá se expandir em 3,7%.

A maior demanda externa deve ajudar no ano que vem, além de uma recuperação do comércio entre os países da região devido ao melhor desempenho das economias do Sul. Contudo, as incertezas do contexto internacional terão efeitos diferenciados nos diversos países e sub-regiões da América Latina e do Caribe, e contribuirão para acentuar as diferenças sub-regionais em função da orientação produtiva e comercial das economias.

Por outro lado, embora seja prevista a continuidade da política monetária expansionista por parte do Banco Central Europeu e do Banco Central do Japão até do final de 2017, a normalização das taxas de juros nos Estados Unidos pode conduzir a um reajuste dos preços dos ativos financeiros, à volatilidade financeira e aos aumentos nos custos de financiamento para região.

Diante dessa conjuntura, a CEPAL recomenda aos países continuar fomentando o investimento mediante políticas econômicas anticíclicas, com aumentos de produtividade, além de medidas fiscais ativas e ajustes efetivos.

A CEPAL alerta para a necessidade de reduzir a evasão e a sonegação fiscal — que chega a 6,7% do PIB regional —, atuar com cautela no gasto público, revisar a estrutura de subsídios (especialmente aos combustíveis) e de incentivos e reorientar para promover investimentos e o gasto social essencial.

“O desafio do big push ambiental que propõe a CEPAL produz um marco estratégico para novas oportunidades de investimento e inovação”, destacou o documento.

Clique aqui para ler o relatório completo (em espanhol).


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