Ambientalista e mensageira da paz da ONU completa 85 anos

A primatologista e mensageira da Paz da ONU, Jane Goodall, completa 85 anos neste 3 de abril com um apelo para cada cidadão do planeta: fazer escolhas sustentáveis que permitam reparar os danos causados pela humanidade à natureza, revertendo a trajetória de destruição dos ecossistemas e da vida silvestre.

Nascida em Londres, a britânica revolucionou o estudo dos primatas com a sua descoberta em 1960 de que chimpanzés são capazes de construir e usar ferramentas.

Primatologista e mensageira da Paz da ONU, Jane Goodall. Foto: Instituto Jane Goodall/Michael Neugebauer

Primatologista e mensageira da Paz da ONU, Jane Goodall. Foto: Instituto Jane Goodall/Michael Neugebauer

A primatologista e mensageira da Paz da ONU, Jane Goodall, completa 85 anos neste 3 de abril com um apelo para cada cidadão do planeta: fazer escolhas sustentáveis que permitam reparar os danos causados pela humanidade à natureza, revertendo a trajetória de destruição dos ecossistemas e da vida silvestre. Nascida em Londres, a britânica revolucionou o estudo dos primatas com a sua descoberta em 1960 de que chimpanzés são capazes de construir e usar ferramentas.

Jane deu os primeiros passos como cientista em 1960, quando chegou à Tanzânia para uma pesquisa de campo sobre os chimpanzés das florestas de Gombe.

Ao longo de um ano de observação, a inglesa pôde observar não só a criatividade desses primatas em utilizar materiais para a fabricação de utensílios, como também hábitos até então pouco conhecidos pelos cientistas — os chimpanzés, por exemplo, foram vistos caçando e comendo javalis e outros animais, um fato que desmentia as teorias de que eles eram primariamente vegetarianos, complementando a dieta ocasionalmente com insetos e pequenos roedores.

A então novata no mundo da primatologia também adotou uma abordagem inovadora, imergindo no habitat dos seus objetos de estudo e tratando os animais como indivíduos, com nomes e personalidades próprios.

Em 1961, Jane seria aceita como aluna de doutorado na Universidade de Cambridge, uma das poucas pessoas em toda a história da instituição a entrar na pós-graduação sem ter um diploma universitário. Após concluir a formação, ela retornaria para Gombe a fim de prosseguir com seus estudos de campo.

Em 1977, a ambientalista fundou o Instituto Jane Goodall, que deu início a projetos de conservação na Tanzânia. Ao longo das décadas, a instituição expandiu seus programas educativos e de conscientização e hoje está presente em quase cem países. A organização promove a capacitação e o engajamento de jovens por meio da sua iniciativa Roots and Shoots.

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Em 2002, Jane Goodall foi nomeada mensageira da Paz da ONU pelo então secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan. Desde então, a primatologista participa de diversas conferências da Organização para defender a preservação da biodiversidade e cobrar ações de cada indivíduo por um mundo mais sustentável.

“Nós deveríamos compartilhar o planeta (com outras espécies). E, no entanto, espécies estão desaparecendo, ecossistemas estão entrando em colapso. Isso vai nos afetar. Mas agora percebemos, cada vez mais, que outros animais também têm emoções e sentimentos. Eles sentem dor, eles sentem medo”, alertou a cientista em evento com jovens estudantes para marcar o Dia da Paz na ONU, em 2017.

“E o que estamos fazendo com eles (os animais)? Eles também são refugiados, eles também estão perdendo suas casas. Também estão morrendo e sofrendo”, enfatizou Jane.

A ativista lembrou ainda que a paz e a dignidade só poderão ser uma realidade na vida de todos os seres humanos “se pararmos a guerra que estamos travando, enquanto espécie, contra o mundo natural, contra o meio ambiente que, na verdade, nos sustenta, nos dá água potável e ar limpo”.

“Cada um de nós importa e tem um papel a desempenhar nesse mundo, mesmo que ainda não saibamos que papel é esse. Cada um de nós causa algum impacto no planeta num único dia sequer que vivemos. E nós estamos numa posição privilegiada de sermos capazes de escolher que tipo de impacto causamos. O que compramos, o que vestimos, o que comemos? Como essas pequenas escolhas afetam as futuras gerações?”, questionou na ocasião a mensageira da ONU.