Alunos do DF inauguram painel sobre Declaração Universal dos Direitos Humanos

Um painel de 110 metros quadrados foi inaugurado neste mês (22) em Brasília como parte das celebrações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Feito de azulejos de cerâmica, o mural é composto por desenhos de estudantes de duas escolas públicas do Distrito Federal.

O projeto é uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e o Governo do Distrito Federal e tem apoio da UNESCO​ e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)​.

Mais de mil alunos da rede pública do DF participaram do projeto e desenharam a sua visão sobre um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desenhos escolhidos a partir da mobilização agora estão estampados em mural na saída do metrô Galeria dos Estados. Foto: Julia Matravolgyi

Mais de mil alunos da rede pública do DF participaram do projeto e desenharam a sua visão sobre um dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desenhos escolhidos a partir da mobilização agora estão estampados em mural na saída do metrô Galeria dos Estados. Foto: Julia Matravolgyi

Um painel de 110 metros quadrados foi inaugurado em Brasília como parte das celebrações dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Feito de azulejos de cerâmica, o mural é composto por desenhos de estudantes de duas escolas do Distrito Federal. Exposta na saída do metrô Galeria dos Estados, a obra traz a interpretação dos jovens sobre cada um dos artigos da declaração. Iniciativa mobilizou mais de mil alunos da rede pública.

O projeto é fruto de uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos, a Associação Inscrire e o Governo do Distrito Federal. A iniciativa teve o apoio da UNESCO e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Para conceber o mural, as instituições contaram com a participação da artista plástica francesa Françoise Schein, que coordenou a produção das imagens nas escolas CED 11, em Ceilândia, e Gisno, na Asa Norte de Brasília. Além da instalação na estação de metrô, painéis menores foram inaugurados nos dois colégios para celebrar o envolvimento dos meninos e meninas.

A professora de Filosofia e coordenadora do programa na instituição Gisno, Elimarcia Aguiar, ressalta que a realização do painel provocou reflexões sobre cidadania. “O que mais me impactou foi ver a compreensão de cada um de que eles mesmos têm direitos. Se todos possuem direitos, e eles são eventualmente colocados de lado por uma situação de vulnerabilidade, é preciso pensar sobre eles”, avalia a educadora.

Para o docente de História, Rafael Silva, do mesmo colégio, “passamos por uma fase em que direitos são questionados, como se algumas pessoas os merecessem, e outras não”. “Os direitos humanos falam justamente em estabelecer condições mínimas de igualdade para todo mundo, mesmo diante das diferenças”, completa.

Os alunos participantes contam que fizeram diferentes descobertas ao associar a declaração universal à realidade. “O artigo que fala sobre o direito ao casamento me chamou a atenção”, lembra o aluno do nono ano do colégio CED 11, Anderson Maciel. “Na época do projeto, li notícias sobre a descriminalização do casamento LGBT na Índia. Notei que, muitas vezes, somos agraciados por direitos que outros ainda nem possuem.”

A estudante Ana Beatriz dos Santos, do sétimo ano da escola Gisno, teve seu desenho sobre o Artigo 25 da declaração — sobre um nível de vida suficiente para garantir saúde, alimentação e seguridade social — estampado no mural. “Ver meu desenho no metrô é incrível, pois não é algo que está aqui apenas hoje e sim, que várias gerações vão ver”, afirma.

O representante da Associação Inscrire, Philippe Nothomb, explica que “nosso foco é trabalhar reflexões de cidadania por obras participativas”. “Fazemos isso promovendo reflexões e debates conduzidos por professores nas escolas”, acrescenta.

O secretário-executivo do Ministério de Direitos Humanos, Marcelo Varella, aponta ainda que a proposta do painel é “transmitir e perpetuar os direitos humanos e gerar uma reflexão”. “Muita gente passa aqui e todo mundo vai ver e vai ler”, diz o gestor.

Arte em prol dos direitos humanos

O mural em Brasília é parte do projeto “Inscrever os Direitos Humanos”, da Associação Inscrire, fundada nos anos 90 por Françoise Schein. A instituição é referência mundial na criação artístico-pedagógica e urbana na área dos direitos humanos. Painéis como o de Brasília já foram instalados em mais de 20 países.