Alunos de escolas públicas na América Latina perdem um dia de aula por semana, estima Banco Mundial

A pesquisa descreve como a falta e a má formação de professores, a baixa remuneração, entre outras carências de administração escolar, fazem com que os estudantes percam oportunidades.

Foto: UNICEF/TACRO/Gonzalo Bell/Panama

Foto: UNICEF/TACRO/Gonzalo Bell/Panama

A cada semana, os estudantes das escolas públicas na América Latina e no Caribe são privados do equivalente a um dia de aula, segundo um novo relatório do Banco Mundial apresentado esta semana em Lima, no Peru.

A pesquisa, que envolveu três mil escolas primárias e secundárias em sete países latino-americanos, descreve como a falta de professores, a sua má formação, o baixo nível de competência e de remuneração, assim como uma administração escolar deficiente, fazem com que os estudantes percam oportunidades.

A autora do relatório “Grandes professores: como melhorar o aprendizado dos estudantes na América Latina e no Caribe”, Barbara Bruns, afirmou que “quase todos os países da região parecem estar presos a um equilíbrio de baixo nível de padrões inferiores de entrada no ensino, salários relativamente baixos e indiferenciados, ensino deficiente na sala de aula e parcos resultados educacionais”, o que implica que “a mudança para um equilíbrio de alto nível será difícil, mas constitui um esforço que a região não pode se permitir adiar.”

Por sua vez, o vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Jorge Familiar, referindo-se à qualidade da educação como o elemento mais importante para ampliar as oportunidades dos latino-americanos, disse que “é difícil pensar em protagonistas mais significativos para elevar a qualidade educacional do que os professores da região”.

No entanto, o relatório menciona múltiplos desafios e tendências que os futuros professores enfrentam na profissão, entre eles iniciar seus estudos acadêmicos com um nível de conhecimento inferior ao total de estudantes do ensino superior; possuir um nível socioeconômico mais baixo e têm maior probabilidade de serem universitários de primeira geração (cujos pais não possuem um diploma de ensino superior).

Além disso, embora muitos países estejam produzindo uma oferta excedente de novos professores, ainda é difícil encontrar docentes adequados ao ensino médio de matemática e ciências e que sejam bilíngues de alta qualidade (língua espanhola e indígena) nas áreas rurais.

Por outro lado, a força docente está envelhecendo e, especialmente na América Central, existe uma falta de professores. Ainda assim, o relatório indica que a maioria dos países da América Latina e do Caribe está investindo em políticas para melhorar o desempenho destes profissionais.