Altos custos de acesso à saúde colocam mães e recém-nascidos em risco, diz UNICEF

Mulheres grávidas estão colocando suas vidas e as de seus bebês em risco por conta dos custos de saúde “catastróficos” e proibitivos, afirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), na segunda-feira (3).

Em novo relatório destacando que poucas grávidas pobres têm acesso a médicos, enfermeiros ou parteiros quando mais precisam, o UNICEF afirmou que mais de 800 mulheres morrem diariamente no mundo por complicações na gravidez, enquanto outras mães sobrevivem com desfechos “debilitantes”.

Ao menos 7.000 casos envolvendo natimortos acontecem diariamente no mundo – metade de bebês que estavam vivos quando o trabalho de parto começou. Além disso, 7 mil bebês também morrem no primeiro mês de vida todos os dias, segundo o UNICEF.

Mãe e recém-nascido em maternidade de Ulaanbaatar, na Mongólia. Foto: UNICEF/Jan Zammit

Mãe e recém-nascido em maternidade de Ulaanbaatar, na Mongólia. Foto: UNICEF/Jan Zammit

Mulheres grávidas estão colocando suas vidas e as de seus bebês em risco por conta dos custos de saúde “catastróficos” e proibitivos, afirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), na segunda-feira (3).

Em novo relatório destacando que poucas grávidas pobres têm acesso a médicos, enfermeiros ou parteiros quando mais precisam, o UNICEF afirmou que mais de 800 mulheres morrem diariamente de complicações, enquanto outras mães sobrevivem com desfechos “debilitantes”.

Ao menos 7.000 casos envolvendo natimortos acontecem diariamente – metade sendo de bebês que estavam vivos quando o trabalho de parto começou. Além disso, 7 mil bebês também morrem no primeiro mês de vida todos os dias, segundo o UNICEF.

“Para famílias demais os custos totais do nascimento podem ser catastróficos. Se uma família não arca com estes custos, as consequências podem ser até mesmo fatais”, disse a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Quando famílias pegam atalhos para reduzir os custos da assistência à saúde materna, tanto mães quanto filhos sofrem”.

Mais de 5 milhões de famílias em África, Ásia, América Latina e Caribe gastam ao menos 40% de suas despesas domésticas não alimentares para o ano inteiro apenas em serviços de saúde materna, de acordo com o Fundo.

Aproximadamente 1,9 milhão destas famílias está na África, enquanto cerca de 3 milhões estão na Ásia. Em comparação com a maioria dos países ricos, onde um assistente de parto qualificado está presente em quase todos os partos, o número cai significativamente em países menos desenvolvidos, segundo o relatório.

Estes Estados incluem Somália (9,4%) e Sudão do Sul (19,4%), junto a Madagascar (44,3%), Papua Nova Guiné (53%), Afeganistão (58,8%) e Mianmar (60,2%), com base em dados de 2013 a 2018.

Dentro de países, a diferença também é acentuada entre mulheres que podem pagar por ajuda e as que não podem. No sul da Ásia, por exemplo, mulheres mais ricas recebem quatro ou mais visitas de cuidados pré-natais do que mulheres de famílias mais pobres.

No que diz respeito às mulheres que dão à luz em uma instalação especializada, a diferença entre as mulheres mais ricas e mais pobres é mais que o dobro na África Central e Ocidental.

“Embora a cobertura global de assistência especializada ao parto tenha mostrado crescimentos acentuados nos anos recentes, grandes lacunas na cobertura entre países persistem”, afirmou o UNICEF em comunicado.

De acordo com dados do Fundo, de 2010 a 2017, o número de funcionários da área da saúde aumentou em muitos países. No entanto, este aumento foi “mínimo” nos países em desenvolvimento, onde níveis de mortalidade materna e neonatal são os mais altos.

Por exemplo, de 2010 a 2017, a cobertura aumentou de quatro para cinco funcionários da área da saúde para cada 10 mil pessoas em Moçambique, e de três para nove na Etiópia. A Noruega, por exemplo, passou de 213 para 228 no mesmo período.

“Médicos, enfermeiros e parteiros desempenham uma função crítica para salvar mães, ainda assim milhões de nascimentos acontecem todos os anos sem um assistente especializado”, afirmou o UNICEF.

Focando no acesso desigual a assistência emergencial ao redor do mundo, a agência da ONU destacou o valor de uma cesárea, que pode salvar vidas.

Em torno de 30 milhões de cesáreas foram realizadas em todo o mundo em 2015, quase o dobro em relação a 2000. A preponderância na América Latina e no Caribe, no entanto – 44% de todos os nascimentos em 2015 –, foi mais de 10 vezes maior que na África Central e Ocidental.

“Esta porcentagem baixa de cesáreas na África Central e Ocidental é alarmante, sugerindo uma falta extrema de acesso a esta intervenção que pode salvar vidas”, alertou o UNICEF. O relatório também destaca que complicações relacionadas à gravidez são a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos em todo o mundo.

Como ainda são adolescentes em fase de crescimento, noivas-crianças correm mais riscos de complicações se ficarem grávidas. O relatório indica que é menos provável que recebam assistência médica adequada enquanto estão grávidas ou deem à luz em uma instalação adequada, em comparação com mulheres que se casaram adultas.

Em Chade, Camarões e Gâmbia, mais de 60% das mulheres que agora têm entre 20 e 24 anos e que se casaram antes de completar 15 anos têm três ou mais filhos. O número é bem acima dos 10% de mulheres da mesma idade que se casaram adultas.

Apesar das preocupações, a agência da ONU afirmou que, no geral, o número de mulheres e meninas que morrem anualmente de problemas relacionadas à gravidez e ao parto caiu mais de 40% nos últimos 20 anos, de 532 mil em 1990 para 303 mil em 2015.


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