Alto-comissário da ONU pede união contra ‘crimes de proporções históricas’ na Síria

Alto-comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Zeid Ra´ad Al Hussein, classificou os bombardeios na cidade síria de Alepo como crimes de proporções históricas. Em Genebra, ele pediu que os membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU se unam para acabar com o derramamento de sangue na Síria.

Escombros em Aleppo, na Síria. Foto: Tom Westcott/IRIN

Escombros em Alepo, na Síria. Foto: Tom Westcott/IRIN

Crimes de proporções históricas. Assim o alto-comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Zeid Ra´ad Al Hussein, classificou os bombardeios na cidade síria de Alepo, ao pedir que os membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU se unam para acabar com o derramamento de sangue.

“A antiga cidade de Alepo, um lugar de beleza e civilização milenares, é hoje um abatedouro – um lugar macabro de dor e medo, onde corpos de crianças pequenas estão soterrados por entulho nas ruas e mulheres grávidas são deliberadamente alvo de bombardeios”, relatou o alto-comissário a uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Os 47 integrantes do Conselho se preparam para adotar uma resolução sobre o assunto.

“A incapacidade coletiva da comunidade internacional em proteger os civis e deter o derramamento de sangue deve assombrar cada um de nós”, enfatizou o oficial, lembrando que os custos serão pagos pelas crianças e gerações futuras.

Ao classificar a guerra civil como “um conflito alimentado por cínicos interesses regionais e internacionais”, Hussein informou que mais de 300 mil pessoas já foram mortas e centenas de outras ficaram feridas ou traumatizados, além dos milhares de casos de rapto, execução sumária ou detenção arbitrária e do êxodo de mais da metade da população síria.

Ele lembrou que hospitais, escolas, mercados e reservatórios de água têm sido deliberada e repetidamente atacados e milhões de pessoas não estão recebendo ajuda humanitária. O Escritório do Alto Comissariado já documentou violações às leis humanitárias internacionais por todos os envolvidos no conflito em Alepo e os ataques que mataram civis constituem crime de guerra. Hussein completou que estes ataques contra civis constituem ainda crime contra a humanidade.

Apesar do conflito da Síria ser responsabilidade do Conselho de Segurança, o alto-comissário pediu que a Assembleia Geral também se posicione sobre o assunto. Ele pediu que os integrantes do Conselho de Direitos Humanos deixem de lado discordâncias políticas e se concentrem apenas no sofrimento dos homens, mulheres e crianças. “Nenhuma vantagem hipotética na arte do jogo global pode compensar esta dor e horror”, alertou.

Ele pediu que o Conselho de Segurança deixe as rivalidades de lado e aja em uníssono, em acordo com a segurança e paz internacional, lembrando que a influência deve ser usada para avançar numa solução política para o conflito. “O envio de armas e equipamentos aos envolvidos no conflito deve cessar”.

O alto-comissário pediu urgência no relato da situação da Síria à Corte Criminal Internacional, dizendo que todas as partes no conflito “devem saber que serão consideradas responsáveis pelos crimes internacionais cometidos – todos, sem proteção seletiva ou discriminação”.

Ao pedir imediato, prolongado e abrangente cessar-fogo para permitir a chegada de ajuda humanitária ao país, Hussein pediu que o Conselho “fale com uma voz apenas” pela proteção dos civis no que ele classificou como a mais marcante crise humanitária da nossa era.

A sessão especial do Conselho foi chamada algumas horas depois que o Secretário-Geral Ban Ki-moon e o enviado especial Staffan de Mistura relataram na Assembleia Geral os “horrores cometidos no confronto na Síria” e pedirem aos estados-membro que “cooperem para o cumprimento da responsabilidade coletiva de proteger”.