Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU encerra no Rio seminário sobre coleta de dados estatísticos de raça e etnia nas Américas

Objetivo do encontro é trocar experiências sobre a coleta de dados, análise e promoção de políticas de combate ao racismo e à discriminação. Evento acontece no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH)Objetivo do encontro é trocar experiências sobre a coleta de dados, análise e promoção de políticas de combate ao racismo e à discriminação. Evento acontece no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Encerra nesta quarta-feira (05/05), no Rio de Janeiro, o Seminário para as Américas sobre Coleta de Dados e Uso de Indicadores para Promover e Monitorar a Igualdade Racial e a Não Discriminação, promovido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Participaram da abertura do evento, na segunda-feira o Representante do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, Christian Salazar, o novo Coordenador Residente das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, e o Ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, entre outras autoridades.

O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM Brasil e Cone Sul) acompanha o seminário com a equipe técnica do Programa Regional de Gênero, Raça, Etnia. O encontro foi desenhado em agosto de 2009, quando o Grupo de Afrodescendentes para os Censos 2010 nas Américas e o Governo Brasileiro foram recebidos pela Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, em Genebra (Suíça). Na ocasião, foi acionada a Unidade Antidiscriminação das Nações Unidas para dar suporte à mobilização da sociedade civil das Américas para os censos de 2010. Em 2001, a Conferência de Durban recomendou que o combate ao racismo fosse incorporado como primeira responsabilidade dos Estados, encorajando a adoção de medidas efetivas para coleta e análise de dados para de dimensionar a discriminação racial e monitorar a situação com o objetivo de desenvolver políticas de combate ao racismo.

Entre os objetivos do Seminário para as Américas, está a análise dos benefícios e os riscos envolvendo a perspectiva de direitos humanos, além de oferecer um fórum de debate e troca de experiências em coleta de dados e uso de indicadores de monitoramento da igualdade de raça e a não discriminação.

Dados desagregados de raça e etnia

Nesta quarta-feira (05), o encontro fará um panorama dos indicadores de direitos humanos e apontará as recomendações para a coleta de dados, análise e promoção de políticas de combate ao racismo e à discriminação nas Américas. Os trabalhos serão encerrados às 17h30 em painel conduzido pelo Representante do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Amerigo Incalcaterra, e o Subsecretário de Ações Afirmativas da Seppir, Martvs das Chagas.

Durante a sessão desta manhã, a gerente do Programa Regional de Gênero, Raça e Etnia, Ana Carolina Querino, apresentou a série de reportagens em Português e Espanhol sobre o censo nas Américas e a mobilização negra para a coleta de dados por raça e etnia. A parceria entre UNIFEM, TV Brasil Internacional e Grupo de Afrodescendentes nos Censos de 2010 registrou a realidade da população negra do Brasil, Equador, Panamá e Uruguai. O conteúdo foi exibido em janeiro de 2010 para 14 países das Américas.

Ontem (04/05), os debates se centraram na troca de experiências sobre a coleta e uso de dados estatísticos desagregados para a promoção e o monitoramente da igualdade racial e da não discriminação. O primeiro painel teve exposições de José Luiz Petrucelli, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); Alma Sacalxot, diretora de Projetos dos Povos Indígenas da Embaixada da Espanha na Guatemala; Ricardo Bucio, presidente do Conselho Nacional do México para Prevenir a Discriminação; Luis Caiza, do Instituto Nacional de Estatística do Equador; Humberto Brow, membro do Grupo de Afrodescendentes para os Censos de 2010 nas Américas; Jhon Anton, da Corporação de Desenvolvimento Afroequatoriana; e Bruno Ribotta, oficial da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). A segunda mesa contou com as apresentações de José Ribeiro, da OIT (Organização Internacional do Trabalho); Martha Rangel, da Divisão de População da Celade; Maria Inês Barbosa, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada); e Margarete Paz, pesquisadora estadunidense.


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