Alta Comissária para os Direitos Humanos pede que Conselho de Segurança leve Síria à Justiça

Navi Pillay solicita ação imediata e efetiva para evitar guerra civil. Mais de quatro mil pessoas foram mortas desde março, entre elas 307 crianças, vítimas da repressão.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, incentivou hoje (02/12) o Conselho de Segurança a referir a Síria para a Corte Internacional de Justiça (CIJ) por crimes contra a humanidade e contra a população civil. Mais de quatro mil pessoas foram mortas desde março, entre elas 307 crianças, vítimas da repressão durante manifestações pacíficas. Para Pillay, se a crueldade contínua não acabar agora, poderá levar o país a uma guerra civil.

“À luz do manifestado fracasso das autoridades sírias em proteger os cidadãos, a comunidade internacional precisa tomar medidas urgentes e efetivas para proteger o povo sírio”, pediu Pillay durante reunião do Conselho de Direitos Humanos para avaliar a violência no país.

Dezenas de milhares de pessoas foram presas. Mais de 14 mil estão em detenções como resultado da repressão. Há evidência de tortura sexual de detentos homens, mulheres e crianças. Pelo menos 12,4 mil sírios buscaram refúgio em países vizinhos e dezenas de milhares estão deslocados.

Os relatos do aumento dos ataques armados pelas forças de oposição, incluindo o chamado Exército de Libertação da Síria, contra os militares e aparatos de segurança sírios também preocupam a Alta Comissária.

O uso de escolas como centros de detenção demonstra ainda o descaso do Estado com o direito das crianças a educação e a segurança pessoal.

Para Pillay, é necessário que organismos internacionais independentes tenham permissão para entrar no país, especialmente nas prisões e que todos os agentes humanitários recebam garantia de acesso imediato e irrestrito.