Alemanha critica nacionalismo ‘egoísta’ e pede mais cooperação entre países durante debate na ONU

Representando a Alemanha no debate anual da Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, alertou na quinta-feira (21) para uma crescente onda de nacionalismo radical, que pode gerar novos conflitos no mundo. Lembrando que a cooperação internacional não equivale à perda de soberania, o dirigente criticou quem usa o lema “nosso país primeiro”.

Sigmar Gabriel, ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Foto: ONU/Cia Pak

Sigmar Gabriel, ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Foto: ONU/Cia Pak

Representando a Alemanha no debate anual da Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, alertou na quinta-feira (21) para uma crescente onda de nacionalismo radical, que pode gerar novos conflitos no mundo. Lembrando que a cooperação internacional não equivale à perda de soberania, o dirigente criticou quem usa o lema “nosso país primeiro”.

“O egoísmo nacional não tem valor como um princípio regulatório para o nosso mundo. Porque essa visão de mundo descreve o planeta como uma arena, uma espécie de campo de batalha em que todos estão lutando contra todos os outros e no qual todos precisam afirmar seus próprios interesses, seja sozinhos, seja em alianças de conveniência”, argumentou Gabriel.

Segundo o representante do Estado alemão, essa postura tem conquistado cada vez mais espaço no cenário mundial, prejudicando o equilíbrio entre os países. “Nessa visão de mundo, prevalece a lei do mais forte, não a força da lei.”

O ministro fez um apelo por mais parceria entre os Estados-membros da ONU e lembrou que a história da Alemanha confirma os riscos de um nacionalismo desinteressado na cooperação.

“Nossa experiência histórica enquanto alemães é bem diferente: apenas depois de aprendermos, após duas terríveis guerras mundiais, a ver nossos antigos inimigos como vizinhos e parceiros, com os quais desejamos arcar com as responsabilidades para uma coexistência pacífica, apenas assim, nossos cidadãos na Alemanha conquistaram uma vida melhor”, ponderou.

Gabriel acrescentou que “o lema ‘nosso país primeiro’ não leva a mais confrontos nacionais e menos prosperidade”. “No final, só haverá perdedores”, apontou.

“Na cooperação internacional, ninguém perde soberania. Em vez disso, todos ganhamos uma nova soberania que nós não teríamos enquanto Estados-nação individuais no mundo de hoje.”


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