Alarmada com situação em Gaza, chefe de direitos humanos da ONU pede proteção de civis

“Já está em tempo de os líderes de ambos os lados abandonarem sua retórica venenosa e seu comportamento mortal do ‘olho por olho’, em favor de uma resolução pacífica para este impasse”, disse Navi Pillay.

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Foto: ONU

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Foto: ONU

Citando a escalada de conflitos na Faixa de Gaza, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, apelou nesta sexta-feira (11) para que ambos os lados cumpram suas obrigações para proteger os civis e também denunciou que Israel está violando as leis internacionais quando bombardeia áreas povoadas, especialmente as casas.

A alta comissária afirmou estar “alarmada” tanto pela operação militar israelense como pelo lançamento indiscriminado de foguetes da Faixa de Gaza. Mais de 800 projéteis foram lançados de Gaza desde o início da ofensiva israelense e, até o presente momento, 88 civis palestinos foram mortos, incluindo 21 crianças e 11 mulheres, de acordo com dados do escritório da ONU para os direitos humanos (ACNUDH).

“Desta vez, mais uma vez, os civis estão arcando com o ônus do conflito. Exorto todas as partes a respeitar firmemente suas obrigações sob a lei internacional dos direitos humanos e o direito humanitário internacional para proteger os civis. Já está em tempo de os líderes de ambos os lados abandonarem sua retórica venenosa e seu comportamento mortal do ‘olho por olho’, em favor de uma resolução pacífica para este impasse”, disse Pillay.

Expressando profunda preocupação com a possibilidade de uma ofensiva terrestre, Pillay também reforçou fortemente o apelo do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nesta quinta-feira (10) ao Conselho de Segurança da ONU, para um cessar-fogo.

Ela também pediu que o Governo de Israel tome todas as medidas possíveis para garantir o pleno respeito pelos princípios da distinção, da proporcionalidade e precauções no ataque, durante a condução das hostilidades, conforme exigido pelo direito internacional humanitário. “Em todas as circunstâncias, eles devem evitar atingir civis”, acrescentou.

“Recebemos relatórios muito profundamente perturbadores que indicam que a maioria das mortes de civis, incluindo crianças, ocorreram como resultados de ataques as casas. Estes relatórios levantam sérias suspeitas sobre se os ataques israelenses estão de acordo com o direito humanitário internacional e o direito internacional dos direitos humanos”, disse ela.

“Atacar casas onde residem civis é uma violação da direito humanitário internacional a menos que esses lares sejam para uso militar. Em caso de dúvida, edifícios usados para fins civis, como casas, não são um alvo militar legítimo”, advertiu.