“Assistência humanitária deve ajudar o interior da Somália, e não esvaziar o país”, diz representante do ACNUR

Alto Comissário da ONU para Refugiados visita Chifre da África e pede mais apoio para deslocados da Somália. Agências humanitárias reforçam apoio no Quênia e na Etiópia.

António Guterres (centro) conversa com pessoas deslocadas pela crise em Dollow (Somália).

Em visita ao Chifre da África, o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), António Guterres, reforçou o pedido para que haja mais esforços para salvar as vidas de dezenas de milhares de deslocados somalis. Ele afirmou que o objetivo não deve ser esvaziar a Somália, mas levar ajuda ao interior do país. “Minha maior preocupação é que, se não houver ajuda suficiente, a tragédia humanitária que estamos testemunhando pode se agravar”, declarou.

O ACNUR informou nesta sexta-feira (02/09) que as agências da ONU e seus parceiros estão intensificando a distribuição de alimentos em campos de refugiados na Etiópia, que têm recebido milhares de refugiados somalis que deixaram seu país por causa da epidemia de fome.

Agências humanitárias concordaram em aumentar os pontos de distribuição de alimentos nos campos etíopes e assegurar que os refugiados recebam os suplementos alimentares adequados. A decisão foi tomada diante do grande percentual de crianças somalis que chegam aos campos das regiões de Dollo Ado e Hilaweyn com um quadro de má nutrição aguda.

No Quênia, problema é a educação

Enquanto isso, no Quênia – que só este ano já recebeu cerca de 254 mil refugiados somalis – o problema é o aumento da demanda por mais escolas e materiais escolares, tendo em vista o aumento do número de crianças em idade escolar nos campos. Em Dadaab, por exemplo, há apenas um professor para cada 100 alunos (num total de 156 mil crianças em idade escolar), sendo muitos dos professores também refugiados.

Poucos dos recém-chegados tiveram alguma educação formal na Somália e, para fazer uma transição suave no ensino escolar, a agência parceira do ACNUR, CARE, deu início a um programa de aceleração de aprendizagem para ensinar conceitos de alfabetização e matemática a quase 1.500 crianças.