Ainda há trabalho a ser feito para acabar com armas químicas na Síria, diz ONU

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Conforme inspeções e investigações avançam sobre diversos casos de uso de armas químicas contra civis na Síria, a representante de assuntos de desarmamento das Nações Unidas, Izumi Nakamitsu, disse na segunda-feira (5) ao Conselho de Segurança que muito ainda precisa ser feito para acabar com esse flagelo, pedindo união internacional.

Nos mais de sete anos do brutal conflito civil, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e as Nações Unidas, através de um Mecanismo Investigativo Conjunto, encontraram evidências de diversos casos em que armas químicas — incluindo gás mostarda e sarin — foram usadas tanto por forças do governo sírio quanto por grupos armados não estatais.

Meninos passam em frente a edifícios destruídos em Maarat al-Numaan, na província de Idlib. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

Meninos passam em frente a edifícios destruídos em Maarat al-Numaan, na província de Idlib. Foto: UNICEF/Giovanni Diffidenti

Conforme inspeções e investigações avançam sobre diversos casos de uso de armas químicas contra civis na Síria, a representante de assuntos de desarmamento das Nações Unidas, Izumi Nakamitsu, disse na segunda-feira (5) ao Conselho de Segurança que muito ainda precisa ser feito para acabar com esse flagelo, pedindo união internacional.

Nos mais de sete anos do brutal conflito civil, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e as Nações Unidas, através de um Mecanismo Investigativo Conjunto, encontraram evidências de diversos casos em que armas químicas — incluindo gás mostarda e sarin — foram usadas tanto por forças do governo sírio quanto por grupos armados não estatais.

Em 2013, o Conselho de Segurança da ONU adotou de forma unânime a resolução 2118, que instava Estados-membros a implementar um programa para eliminar o uso de armas químicas no conflito sírio.

O esforço, liderado agora pela OPAQ, teve progressos adicionais: a inspeção de duas instalações está atualmente sendo feita em Barzah e em Jamrayah; uma missão de descobrimento de fatos foi realizada em setembro em Duma sobre acusações de uso de armas químicas e as conclusões são esperadas para serem divulgadas em breve; cinco outros incidentes envolvendo suposto uso de armas químicas em 2017 também estão sendo investigados.

No entanto, cinco anos após a resolução do Conselho de Segurança ser adotada, Nakamitsu disse que “ainda há trabalho a ser feito”. Ela se referia, por exemplo, às “acusações a respeito de um possível uso planejado de armas químicas em Idlib” — a última área do país sob controle rebelde, onde milhões de civis se abrigam — que “continuam vindo à tona”.

“Enquanto o uso de armas químicas estiver em andamento, ou a ameaça de seu uso permanecer, devemos manter nosso foco nesta questão e não permitir que fiquemos acostumados a isso”, afirmou.

Destacando que “união no Conselho de Segurança da ONU é necessária”, ela destacou que “a identificação e a prestação de contas dos responsáveis é imperativa”.

Em junho, o secretariado da OPAQ recebeu a tarefa por partes da Convenção de Armas Químicas de “colocar em vigor preparativos para identificar os autores de uso de armas químicas na República Árabe Síria”.

Pedindo para o Conselho de Segurança “restabelecer a norma contra armas químicas”, ela disse que “o uso destas armas deve sempre ser visto como uma violação”.

“A vitalidade e credibilidade do desarmamento mais amplo e arquitetura de não proliferação dependem disso.”

Após briefing de Nakamitsu, o representante dos Estados Unidos, Jonathan Cohen, expressou apoio ao processo político liderado pela ONU para encerrar a guerra na Síria e destacou que “armas químicas não têm lugar em nosso mundo”.

Contestando os fatos apresentados pela chefe de desarmamento da ONU, o embaixador russo, Vassily Nebenzia, afirmou que “reservas químicas foram retiradas da Síria sob supervisão da OPAQ”, e que “instalações do antigo programa químico militar foram destruídas” e “as medidas de inspeção se tornaram desnecessárias”.


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