Agricultura de montanha é fundamental para fornecimento mundial de água potável, diz FAO

Relatório aponta que posse de terra segura, melhor acesso a crédito e empoderamento das mulheres são requisitos para promover agricultura familiar sustentável em regiões montanhosas.

Povo Taquile, que mora a duas horas e meia de barco de Puno, no sul do Peru. A mais de 4 mil metros de altura, em volta do Lago Titicaca, as principais atividades são a agricultura e a produção de tecido. Os tecidos dos Taquile são patrimônio cultural da humanidade, segundo a UNESCO. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

Povo Taquile, que mora a duas horas e meia de barco de Puno, no sul do Peru. A mais de 4 mil metros de altura, em volta do Lago Titicaca, as principais atividades são a agricultura e a produção de tecido. Os tecidos dos Taquile são patrimônio cultural da humanidade, segundo a UNESCO. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto

As Nações Unidas pediram nesta quarta-feira (11) um aumento de recursos e reservas de terras para que o gerenciamento de solo e água em áreas montanhosas possa continuar fornecendo água doce para metade da população mundial.

“Aumentar o perfil dos agricultores de montanha e apoiá-los através de um ambiente político favorável beneficiará tanto os povos de montanha quanto as populações que vivem em terras baixas”, disse o diretor-geral assistente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Eduardo Rojas-Briales, durante o lançamento do novo relatório para marcar o Dia Internacional das Montanhas.

Segundo o relatório “Agricultura de Montanha é Agricultura Familiar”, cerca de 40% da população de montanhas em países em transição ou desenvolvimento — aproximadamente 300 milhões — sofrem com a insegurança alimentar, e metade dessas pessoas sofre de fome crônica.

O relatório afirma que a posse de terra segura, melhor acesso a crédito, empoderamento das mulheres e investimentos públicos em educação, saúde, transporte e pesquisa são requisitos para promover a agricultura familiar sustentável em regiões montanhosas.

Atualmente, a agricultura familiar em regiões montanhosas passa por uma rápida transformação por causa do crescimento populacional, da globalização econômica e da expansão da vida urbana — que causa a migração de homens e jovens para essas áreas.

Tudo isso resulta em um aumento na carga de trabalho para as mulheres, maior pressão sobre os recursos locais e no aumento da vulnerabilidade dos agricultores de montanha para as mudanças globais.

Ao mesmo tempo, essas mudanças também podem oferecer oportunidades para o desenvolvimento local, através da diversificação de renda e do engajamento em atividades não agrícolas da população, como no turismo e na comercialização do artesanato.

“O Ano Internacional da Agricultura Familiar 2014 apresenta uma oportunidade para chamar a atenção para as vantagens e os desafios da agricultura familiar em zonas de montanha”, disse a chefe do Programa do Departamento Florestal da FAO, Rosalaura Romeo.