Agitação pré-eleitoral no Burundi causa a fuga de milhares de pessoas, declara agência da ONU

No mês passado, mais de 50 mil pessoas fugiram para países vizinhos; descolamentos comprometem avanços de anos na questão dos refugiados na região.

Uma anciã espera entre uma multidão auxílio no campo de refugiados Mahama em Ruanda. Foto: ACNUR/K. Holt

Uma anciã espera entre uma multidão auxílio no campo de refugiados Mahama em Ruanda. Foto: ACNUR/K. Holt

A eclosão da violência pré-eleitoral no Burundi no mês passado causou a fuga de mais de 50.000 pessoas para países vizinhos e compromete alguns dos desenvolvimentos mais promissores na história recente dos refugiados na África, disse nesta sexta-feira (8) em Genebra, Adrian Edwards, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Muitos deles atravessaram a fronteira para Ruanda, mas ao longo da última semana, vimos um forte aumento no número de pessoas que procuram asilo na Tanzânia, depois que as restrições de entrada lá foram suspensas”, disse Edwards. “Além disso, quase 8.000 pessoas atravessaram para a província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Em todos esses casos, as mulheres e as crianças, incluindo o grande número de não acompanhadas, estão em maioria”.

Edwards elogiou as soluções encontradas, após o fim da guerra civil em Burundi em 2005, para abordar a situação de muitos milhares de pessoas anteriormente deslocadas após mais de uma década de conflito. Estes incluíram um dos programas de maior sucesso mundial de regresso voluntário de refugiados do Burundi – com o ACNUR ajudando o país a voltar a integrar quase meio milhão de pessoas na sociedade. Nos últimos anos, a Tanzânia ofereceu cidadania para cerca de 200 mil deles e seus descendentes, o maior número de refugiados localmente integrados por um país acolhedor.

Desde que o partido Conselho Nacional para a Defesa da Democracia – Forças para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD), que governa o país, nomeou Pierre Nkurunziza como seu candidato presidencial, em 26 de abril, foram relatadas denúncias de violência diária e a propagação de inquietação para a capital, segundo informou Edwards.