Agentes humanitários abandonam trabalho temendo prisão na Síria

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Segundo a ONU, agentes temem detenção por causa de eventuais mudanças no controle dos territórios, sob disputa do governo de Bashar Al-Assad, grupos de oposição e o Estado Islâmico.

Escritório de Direitos Humanos condenou nesta semana série de atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico, que ameaçou queimar pessoas inocentes vivas, caso o governo não suspendesse operações contra o grupo terrorista.

Uma criança carrega uma bolsa com lenha que ela comprou para sua família em Ghouta, cidade sitiada na Síria. Foto: UNICEF / Al Shami

Uma criança carrega uma bolsa com lenha que ela comprou para sua família em Ghouta, na Síria. Foto: UNICEF/Al Shami

Com o acirramento dos confrontos no sudoeste da Síria, profissionais humanitários locais têm abandonado seus postos por medo de serem presos, afirmou nesta semana (30) o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Segundo o organismo internacional, agentes temem detenção por causa de eventuais mudanças no controle dos territórios, sob disputa do governo de Bashar Al-Assad, grupos de oposição e o Estado Islâmico.

O problema, de acordo com a ONU, traz impactos significativos para o trabalho de agências humanitárias, ONGs e parceiros, que tentam levar assistência para 13 milhões de sírios em todo o país. O OCHA reiterou seu apelo por mais proteção e segurança para os funcionários de organismos de ajuda internacional.

“Profissionais de assistência sírios arriscam suas vidas diariamente e trabalham incansavelmente para fornecer assistência capaz de salvar vidas para outros sírios em necessidade, de acordo com os princípios humanitários”, afirmou o coordenador regional humanitário para a crise na Síria, Panos Moumtzis.

O dirigente lembrou que o direito internacional proíbe todas as partes da Guerra de atacar profissionais humanitários e outros civis. Por seu conhecimento sobre as áreas em confronto, as equipes contratadas localmente são “a espinha dorsal” da resposta da ONU, acrescentou Moumtzis.

ONU condena atrocidades do ISIL

Em pronunciamento na terça-feira (31), o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou a série de atrocidades cometidas por terroristas do Estado Islâmico (ISIL) no sudoeste sírio, na semana passada.

“Recebemos relatos de que mais de 200 pessoas foram mortas ou feridas em múltiplos ataques, incluindo atentados suicidas na cidade de Sueida e em vários vilarejos nas regiões leste e nordeste da província de Sueida”, disse a porta-voz do organismo, Ravina Shamdasani.

A representante da agência da ONU também afirmou que “dezenas de militantes do ISIL” teriam invadido casas em pelo menos oito cidades na zona rural da província de Sueida, fuzilando e assassinando civis dentro de suas residências e sequestrando mulheres e crianças.

“Recebemos os nomes de pelo menos 27 mulheres e crianças que teriam sido feitas reféns no vilarejo de Al-Shbiki”, acrescentou a porta-voz. Segundo Shamdasani, o ACNUDH acredita que o número de desaparecidos seja muito maior.

A representante informou ainda que fotos das vítimas sob cárcere foram tweetadas “com ameaças de que (as pessoas) seriam queimadas vivas, caso o governo não suspendesse as operações militares contra o ISIL no oeste da província de Dara’a e caso não libertasse mulheres e homens do ISIL sob a custódia do governo”.

De acordo com o escritório da ONU, os combatentes do ISIL envolvidos nesses crimes recentes incluem muitos indivíduos resgatados e reassentados do campo de refugiados de Yarmouk e de outras áreas do sul de Damasco. A realocação dos extremistas teria sido parte de um acordo de reconciliação com o governo de Assad.

“Embora acordos que ponham um fim aos conflitos devam ser elogiados, o bem-estar dos civis deve ser primordial em quaisquer considerações”, enfatizou Shamdasani.

“A transferência de combatentes armados com um histórico de abusos grosseiros dos direitos humanos e de desprezo pelo direito internacional pode significar um aumento na probabilidade de ataques violentos contra civis, como os realizados na semana passada em Sueida.”

Na avaliação do ACNUDH, o governo sírio “tem o dever de agir para prevenir atos violentos que possam colocar em perigo a vida e o bem-estar dos civis, incluindo (por meio de decisões para) não colocar grupos armados como o ISIL próximos a eles”, completou a porta-voz.


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