Agências da ONU se unem em resposta à crise humanitária no Iêmen

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Assolado por um conflito há quase três anos e imerso em um surto de cólera sem precedentes, o Iêmen vive a mais grave crise humanitária de sua história. Três agências das Nações Unidas – PMA, UNICEF e OMS – se uniram em uma resposta coordenada, pedindo o apoio da comunidade internacional e mais esforços do governo iemenita, que não paga o salário de mais de 30 mil agentes de saúde há dez meses.

Criança com suspeita de cólera em tratamento no Hospital Alsabeen, em Sanaa, capital do Iêmen. Foto: Moohialdin Fuad Alzekri/UNICEF

Criança com suspeita de cólera em tratamento no Hospital Alsabeen, em Sanaa, capital do Iêmen. Foto: Moohialdin Fuad Alzekri/UNICEF

Assolado por um conflito há quase três anos e imerso em um surto de cólera sem precedentes, o Iêmen vive a mais grave crise humanitária de sua história.

Três agências das Nações Unidas se uniram em uma resposta coordenada, pedindo o apoio da comunidade internacional e maiores esforços do governo iemenita, que não paga o salário de mais de 30 mil agentes de saúde há dez meses.

Em declaração divulgada nesta semana (26), líderes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) disseram que estão intensificando o apoio da ONU, depois de verificar a gravidade da situação em uma visita ao país.

Só nos últimos três anos, foram registrados 400 mil casos de suspeitas de cólera e quase 1.9 mil mortes. O cenário é agravado ainda por uma grave escassez de comida, em que 60% da população não sabe se terá uma próxima refeição. Além disso, segundo o relatório, 2 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda.

“Em um hospital, visitamos crianças que mal conseguiam reunir forças para respirar. Falamos com as famílias tomadas pela tristeza por seus entes queridos e lutando para poderem se alimentar”, disseram os líderes das agências.

Eles observaram que estruturas vitais como instalações de água e de assistência médica tinham sido destruídas. Somado-se a isso, mais de 30 mil profissionais de saúde não recebem salários há dez meses.

“Pedimos às autoridades iemenitas que paguem esses trabalhadores de saúde com urgência pois, sem eles, tememos que pessoas que podem sobreviver venham a morrer”, afirmou o relatório, ressaltando que as agências farão o possível para apoiar os profissionais de saúde.

Segundo o documento, UNICEF, PMA e OMS já criaram mais de mil centros com tratamentos para diarreia e reidratação oral e, recentemente, firmaram uma parceria com o Banco Mundial para manter as instituições locais de saúde.

“Há esperança. Mais de 99% das pessoas que estão doentes com suspeita de cólera e que podem acessar os serviços de saúde estão agora sobrevivendo. (…) No entanto, a situação continua terrível. Milhares estão sofrendo todos os dias. São necessários esforços contínuos para impedir a propagação da doença. Quase 80% das crianças do Iêmen precisam de assistência humanitária imediata.”

Encontrando-se com líderes iemenitas nas cidades de Aden e Sanaa, os líderes das agências pediram que os trabalhadores humanitários tenham maior acesso às áreas afetadas pelo conflito. “E instamos – mais do que qualquer coisa – que seja encontrada uma solução política pacífica para o conflito”, concluíram.


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