Agências da ONU pedem que caso de jovem assassinada na Bahia seja investigado e solucionado

Representantes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil e da ONU Mulheres divulgaram nesta terça-feira (3) uma nota sobre o assassinato da estudante Elitânia de Souza da Hora, de 25 anos, na cidade de Cachoeira, Bahia.

Elitânia era uma liderança da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, localizada na mesma cidade em que foi violentamente assassinada a tiros na última quarta-feira (27), a despeito de uma medida protetiva concedida pela Justiça em prol de sua segurança. A suspeita é de que a jovem tenha sido vítima de feminicídio.

Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, era ativista dos direitos humanos e uma promissora liderança jovem da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, no município de Cachoeira, na Bahia. Foto: Reprodução internet.

Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, era ativista dos direitos humanos e uma promissora liderança jovem da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, no município de Cachoeira, na Bahia. Foto: Reprodução internet.

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres divulgaram nesta terça-feira (23) nota sobre o assassinato da estudante Elitânia de Souza da Hora, de 25 anos, assassinada na semana passada no interior da Bahia. O homicídio ocorreu dois dias depois do início da campanha 16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres.

Leia, abaixo, a íntegra da nota:

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres se solidarizam com amigas, amigos e familiares da jovem estudante Elitânia de Souza da Hora, assassinada na última quarta-feira, 27 de novembro, na cidade de Cachoeira na Bahia, e com todas as organizações, movimentos e pessoas que lutam pelo fim da violência contra as mulheres e em defesa dos direitos humanos.

Luto pela jovem quilombola

Elitânia de Souza da Hora, de 25 anos, era ativista dos direitos humanos e uma promissora liderança jovem da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, no município de Cachoeira, na Bahia.

Ela estudava Serviço Social na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e seu trabalho de conclusão de curso, de forma emblemática, era sobre violência contra as mulheres.

Elitânia foi violentamente assassinada a tiros, a despeito de uma medida protetiva, em um caso suspeito de feminicídio. Sua morte ocorreu apenas dois dias depois da abertura da mobilização anual dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, organizada pelas Nações Unidas, parcerias governamentais e a sociedade civil.

Família, amigos, amigas, integrantes da comunidade quilombola, da comunidade universitária e todas as instituições e pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da jovem líder estão de luto por sua morte.

Essa perda irreparável demonstra o quanto ainda falta a ser feito para garantir que o investimento feito em nossa juventude não seja perdido.

Necessidade de intensificar esforços

Arte: Hanna Barczyk

Arte: Hanna Barczyk

Este crime, assim como os muitos feminicídios anteriores que tiraram a vida das mulheres, nos mostram o quão urgente é a necessidade de intensificar esforços e investimentos na prevenção da violência contra as mulheres.

Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, sendo 61% de mulheres negras e 52,3% dos assassinatos cometidos por arma de fogo.

Devem ser garantidos recursos para proteção social, prevenção, acolhimento, justiça, reparação e campanhas públicas, conforme recomendações das Diretrizes Nacionais sobre Feminicídio.

O quadro nacional de feminicídios e violência contra as mulheres demandam o fortalecimento de políticas de enfrentamento a esse tipo de violação por meio de pleno funcionamento da rede especializada em todo o país.

Nenhuma pessoa jovem deveria ter sua vida abreviada por qualquer tipo de violência.

Por Elitânia de Souza da Hora, e pelas muitas mulheres e meninas como ela que correm o risco de sofrer violência com base em seu gênero, o UNFPA e a ONU Mulheres fazem um apelo público para que o caso seja apurado e solucionado.

Fazemos também um chamado a toda a sociedade brasileira, especialmente aquelas pessoas em espaços de tomada de decisão, para garantir que a justiça seja feita e que soluções sejam encontradas, de forma a virar a página da violência contra as mulheres e promover o bem-estar de todas as pessoas.

Nota assinada por:

Astrid Bant

Representante do Fundo de População da ONU no Brasil

Ana Carolina Querino

Representante Interina da ONU Mulheres