Agências da ONU pedem ação global contra seca e fome no Sahel africano

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Agências das Nações Unidas pediram mais apoio internacional para controlar a severa insegurança alimentar na região do Sahel ocidental, uma área que sofre com conflitos, seca e fome.

Mais de 1,6 milhão de crianças estão em risco de sofrer desnutrição aguda esse ano, representando um aumento de 50% em comparação com a última grave crise de desnutrição no Sahel, em 2012.

Uma mãe com seu bebê desnutrido, no centro materno e infantil na cidade de Diffa, Níger. Foto: UNICEF/Tremeau

Uma mãe com seu bebê desnutrido, no centro materno e infantil na cidade de Diffa, Níger. Foto: UNICEF/Tremeau

Agências das Nações Unidas pediram nesta quinta-feira (3) apoio internacional para controlar a severa insegurança alimentar na região do Sahel ocidental, uma área que sofre com conflitos, seca e fome.

De acordo com as estimativas das Nações Unidas, cerca de 5 milhões de pessoas no norte do Senegal, sul da Mauritânia e partes do Mali, Níger, Burkina Faso e Chade precisarão de alimentos e auxílio de subsistência após esgotarem suas reservas de comida, que podem acabar ainda no fim desse mês. Em condições climáticas habituais, os estoques deveriam durar até setembro.

“Nós estamos ouvindo relatos de pessoas diminuindo o número de refeições diárias e crianças saindo de escolas”, disse Abdou Dieng, diretor regional do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) para a África Central e Oriental. “Esses são sinais de um desastre iminente que o mundo não pode continuar a ignorar”, completou.

O receio é de que crianças sejam as mais afetadas pela crise. Mais de 1,6 milhão de crianças estão em risco de sofrer desnutrição aguda esse ano, representando um aumento de 50% em comparação com a última grave crise de desnutrição no Sahel, em 2012.

Marie-Pierre Poirier, diretora regional da África Central e Oriental do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), disse que era “trágico que as mesmas mães voltam às clínicas ano após ano para terem seus filhos tratados”.

Esse ano os números pioraram, acrescentou.

“Nós podemos quebrar esse ciclo se investirmos na construção de resiliência, melhor equipando famílias, comunidades e autoridades nacionais para lidar com choques similares no futuro”, completou Poirier.

Fortalecer a resiliência também é prioridade para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“O que ajudará a estabilizar o Sahel é o apoio aos produtores e agricultores, durante esta época de escassez e no futuro, para lidar com choques que incluem mudanças climáticas e conflitos”, disse Coumba Sow, coordenadora sub-regional de resiliência da FAO na região.

Para diminuir o impacto da crise imediata, as três agências da ONU enviaram uma resposta conjunta para cobrir necessidades de comida, assim como auxílio para proteção de vidas e tratamento da desnutrição.

As agências também prepararam intervenções de longo prazo, incluindo melhora no acesso de recursos alimentares locais e fortalecimento de serviços sociais e de saúde para permitir que comunidades e países previnam e lidem com situações similares no futuro.

Implementar esses programas, no entanto, depende de fundos.

Com o financiamento necessário, a resposta do PMA – que requer 284 milhões de dólares –, fornecerá comida e nutrição para cerca de 3,5 milhões de pessoas.

A ação do UNICEF – que solicita 264 milhões de dólares – protegerá quase 1 milhão de crianças da desnutrição aguda, além de garantir acesso à água e instalações sanitárias e de educação até o fim do ano.

A atuação da FAO – que exige 128 milhões de dólares, dos quais 45 milhões são urgentemente necessários – ajudará a evitar o agravamento da situação para agricultores, suas famílias e mais de 2,5 milhões de pessoas – todas produtoras rurais e suas famílias.


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