Agências da ONU lembram um ano da operação de acolhimento de venezuelanos

Um ano após iniciar as atividades de proteção e assistência aos venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima, a Operação Acolhida celebrou seu primeiro aniversário com atividades culturais e esportivas para promover a integração entre refugiados e migrantes e brasileiros residentes de Boa Vista (RR).

Nas últimas semanas, uma feijoada beneficente e uma exposição fotográfica em um dos shopping da cidade marcaram o início das celebrações. No fim de semana, as comemorações tomaram a Praça Flávio Marques Paracat, um dos principais pontos turísticos de Boa Vista, com corridas de rua para crianças e adultos.

A Operação Acolhida envolve 11 ministérios e possui apoio e engajamento de organizações da sociedade civil e de diversas agências da ONU, como Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), ONU Mulheres e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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Um ano após iniciar as atividades de proteção e assistência aos venezuelanos que chegam ao Brasil pela fronteira com Roraima, a Operação Acolhida celebrou seu primeiro aniversário com atividades culturais e esportivas para promover a integração entre refugiados e migrantes e brasileiros residentes de Boa Vista (RR).

Em 16 de março, uma feijoada beneficente e uma exposição fotográfica em um dos shopping da cidade marcaram o início das celebrações. No último fim de semana (23 e 24), as comemorações tomaram a Praça Flávio Marques Paracat, um dos principais pontos turísticos de Boa Vista, com corridas de rua para crianças e adultos. Estandes de organizações envolvidas na Operação Acolhida divulgaram informações sobre o trabalho com refugiados e migrantes.

As celebrações estão sendo promovidas pelas Forças Armadas, com o apoio de Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ONU Mulheres e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), além do governo do estado de Roraima e da Prefeitura de Boa Vista. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) também atua na Operação Acolhida.

Lançada em março de 2018, a Operação Acolhida operacionaliza a assistência emergencial para o acolhimento de refugiados e migrantes provenientes da Venezuela em situação de maior vulnerabilidade, decorrente do fluxo migratório provocado por crise humanitária. Ela tem o apoio de agências da ONU no Brasil e de organizações da sociedade civil. Já passaram pela operação cerca de 2.500 militares de diversas especialidades.

A Operação Acolhida é coordenada no âmbito do Comitê Federal de Assistência Emergencial, que funciona sob a coordenação da Casa Civil da Presidência da República, com a participação dos ministérios de Defesa, Cidadania, Justiça, Saúde, Educação, Relações Exteriores, Família e Direitos Humanos, Economia e Desenvolvimento Regional, além do Gabinete de Segurança Institucional.

No marco da operação, os venezuelanos que chegam ao Brasil são registrados, documentados e imunizados. Aqueles que pretendem permanecer no Brasil são orientados a solicitar refúgio ou requisitar visto de residência temporária. Os casos mais vulneráveis são encaminhados para abrigos temporários emergenciais.

Outro eixo importante da operação é a interiorização, que tem transferido refugiados e migrantes de Roraima para outros estados do país, onde encontram melhores oportunidades de integração socioeconômica. Mais de 5,2 mil refugiados e migrantes venezuelanos já foram interiorizados para 50 cidades em 17 estados.

Segundo dados oficiais, mais de 240 mil venezuelanos entraram no Brasil desde 2017 (quase metade deles já saiu do país). Cerca de 160 mil venezuelanos foram regularizados até o momento, seja pela solicitação de refúgio (59%) ou por meio de um visto de residência temporária (41%).

Em um ano de operação, 56 mil Cadastros de Pessoa Física (CPF) foram emitidos para refugiados e migrantes. Já foram feitos mais de 22 mil atendimentos médicos, com cerca de 53 mil vacinas aplicadas nos de atendimento em Pacaraima e Boa Vista.

Além de envolver a população de Boa Vista e promover sua interação com refugiados e migrantes, as celebrações da Operação Acolhida recolhem donativos para melhorar a rotina dos venezuelanos em Boa Vista. Para participar da feijoada e das corridas, a população foi convidada a doar materiais escolares, kits higiene pessoal ou alimentos não perecíveis – que serão repassados à população abrigada.

A OIM também participou das festividades com um estande informativo visando divulgar à população de Boa Vista as atividades realizadas no Brasil assim como informar a população venezuelana sobre a assistência disponibilizada aos migrantes e solicitantes de refúgio no país.

Diploma ‘Amigo da Acolhida’

Na manhã do último sábado (23), as comemorações se iniciaram com a entrega do diploma “Amigo da Acolhida”, concedida pelo Exército Brasileiro a diversos órgãos públicos, agências da ONU, organizações da sociedade civil e empresas do setor privado que têm apoiado a Operação Acolhida em Roraima.

A cerimônia aconteceu no Palácio da Cultura, em Boa Vista (RR). Estiveram presentes o governador do estado de Roraima, Antonio Denarium, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita e o reitor da Universidade Federal de Roraima, Jefferson do Nascimento.

Durante a cerimônia, o general Eduardo Pazuello, coordenador da Força-Tarefa Logística Humanitária da Operação Acolhida, explicou o processo de planejamento e construção dos abrigos de Roraima.

“São tantos parceiros que nos ajudaram nessa missão. Todos se esforçaram por uma só causa, e hoje comemoramos aqui o sucesso da Operação Acolhida. Mas ainda tem muito trabalho pela frente”, discursou o general. “A ONU foi fundamental nesse processo”, completou o comandante.

A estratégia de interiorização é coordenada pelo Subcomitê Federal de Interiorização, do qual as agências da ONU participam junto a nove ministérios em articulação com governos de estados e municípios de destino e organizações não governamentais.

Convidado ao palco com outras agências da ONU, o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, foi diplomado pelo general Pazuello como símbolo da sólida parceria estabelecida ao longo do primeiro ano da Operação Acolhida.

“Para nós, o recebimento deste diploma é uma grande homenagem não somente ao trabalho que o ACNUR faz, mas ao trabalho que todos nós fazemos juntos. A resposta humanitária no Brasil é uma iniciativa que começa no governo federal e termina na sociedade civil, passando por todos os ministérios, Nações Unidas, ONGs e empresas privadas”, disse Egas.

Segundo o responsável pelo escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini, o reconhecimento como “Amigo da Operação Acolhida”, reafirma o compromisso da instituição com a assistência humanitária e dá ânimo para seguir fortalecendo a presença e a missão do UNFPA Brasil.

“O UNFPA lidera a ação de prevenção e resposta à violência baseada em gênero e é a agência responsável por assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva. Além disso, apoia a defesa dos direitos de grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade como mulheres, meninas, LGBTI, pessoas idosas, com deficiência, em situação de rua e vivendo com HIV”, afirmou Martini.

Desde o início do trabalho na Operação Acolhida, 13 mil atendimentos foram realizados pelo UNFPA em Roraima. Destes, 77% eram mulheres, incluindo pessoas que se autodeclaravam mulheres em sua carteira de identidade. O UNFPA distribui mensalmente mais de 12 mil preservativos; o escritório também deu instruções a 1,2 mil membros das Forças Armadas e colaboradores da ONU sobre sobre combate à exploração e ao abuso sexual.

Ao receber o reconhecimento, Michelle Barron, coordenadora de emergência da OIM em Roraima declarou sentir orgulho de trabalhar em parceria com a Operação Acolhida e obter resultados positivos.

“Este diploma é um reconhecimento ao trabalho coletivo, baseado no empenho e dedicação de todos os atores envolvidos. A resposta do Brasil à emergência relacionada a migrantes e solicitantes de refúgio é um exemplo de boas práticas de assistência humanitária e integração socioeconômica, e podem ser úteis para que outros países aprendam com a experiência brasileira”, disse.

Atividades culturais

Com a participação de governos estadual, municipal e entidades da sociedade civil, os parceiros da Operação Acolhida promoveram no domingo (24) um passeio ciclístico e a “Acolhida em Ação” — corridas de 5 e 10 km — e a “Corridinha da Acolhida”, destinada a crianças.

“Somos muito agradecidos por todo o suporte que viemos recebendo dos brasileiros, das agências da ONU, das ONGs e de toda a Operação Acolhida. Desde a comida e abrigo até a corrida que promove a nossa integração com a sociedade e com outros abrigos”, disse a venezuelana Jeicy Mendez, de 23 anos, que mora no abrigo Rondon 3.

Um estande do ACNUR no local informava como os refugiados e migrantes vivem nos abrigos, as dificuldades que enfrentam na jornada da fronteira até Boa Vista e quais são seus direitos e deveres, além de detalhes da estratégia de interiorização para outros estados brasileiros.

“Foi muito interessante conhecer toda essa questão humanitária e o que as agências estão fazendo. Eu mesma não sabia como funcionava toda essa ajuda”, disse a roraimense Poliana Lima, que nasceu e cresceu em Boa Vista e trouxe toda a família para o evento.

A exposição de fotos “Olhares Acolhedores” segue em cartaz no Pátio Roraima Shopping até 30 de março. Na abertura, frequentadores do centro comercial foram surpreendidos com a apresentação da banda de música da 1ª Brigada Infantaria de Selva, com um repertório que mesclava músicas brasileira e venezuelanas.

“Foi tocante ver pessoas que se emocionaram com as fotos expostas, entre elas, de venezuelanos que estavam vivendo nas ruas quando a Operação Acolhida começou a levar essas pessoas para os abrigos”, disse a coronel Carla Beatriz, chefe da Célula de Comunicação Social da Operação Acolhida.

O vencedor da corrida de 10 km, o roraimense Wilbert Pereira, que terminou o percurso em 33 minutos e 28 segundos, considerou o evento importante para integrar o sociedade local com refugiados e migrantes.

“Eventos assim nos ajudam a entender como está a situação dos venezuelanos. Apesar das dificuldades do estado, é nítida a diferença da cidade antes e depois da Operação Acolhida. A nós cabe agradecer por todas as melhorias que a operação trouxe.”


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