Agências da ONU lamentam morte do jornalista Gilberto Dimenstein

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil publicaram notas em que lamentam a morte do jornalista Gilberto Dimenstein, que segundo as agências da ONU foi um ícone na luta em defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes.

O jornalista Gilberto Dimenstein. Foto: Foto: Reprodução/twitter

O jornalista Gilberto Dimenstein. Foto: Foto: Reprodução/twitter

A representação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil disse lamentar profundamente a morte precoce do jornalista Gilberto Dimenstein, que segundo a agência é “um ícone na luta em defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes”.

A UNESCO lembrou que, pelas mãos de Dimenstein, surgiu a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que influenciou fortemente o amadurecimento da discussão sobre os direitos da infância, bem como dos direitos humanos em geral.

“Dimenstein foi um inovador. Por meio da comunicação, criou projetos capazes de realizar intervenções sociais poderosas, como é o caso da Cidade Escola Aprendiz, em São Paulo, que implementou o conceito de ‘cidade educadora’ no bairro da Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista.”

“Mais recentemente, ele criou o Catraca Livre, site e plataforma que conta com mais de 10 milhões de acessos (leitores) mensais e divulga eventos culturais gratuitos em todo o país.”

Para a UNESCO, Dimenstein soube fazer da comunicação uma poderosa aliada para advogar por direitos fundamentais e, assim, contribuiu para influenciar políticas públicas e reduzir desigualdades.

“Perdemos hoje um excelente profissional, um ser humano generoso e um grande amigo. Sem dúvida, ele fará muita falta”, disse Marlova Noleto, diretora e representante da UNESCO no Brasil, solidarizando-se com a família e os amigos de Gilberto Dimenstein.

UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disse ter recebido com enorme tristeza a notícia da morte do jornalista.

“O Brasil e todos nós que trabalhamos pelo bem-estar e a proteção de crianças e adolescentes perdemos, nesta sexta-feira (29), um aliado extraordinário. Os direitos da criança e do adolescente eram central no trabalho e na vida de Gilberto Dimenstein.”

“Em 1990, já inspirado com o recém-aprovado Estatuto da Criança e do Adolescente, Gilberto começou a desenhar uma nova página dos direitos de meninas e meninos no Brasil. Com a criação da Agência de Notícias pelos Direito da Infância (ANDI), ajudou a colocar a infância no centro da pauta jornalística.”

“Gilberto, como poucos, soube fazer do jornalismo uma ferramenta de transformação social. Suas grandes reportagens e seus livros traziam um olhar cuidadoso e preocupado sobre as meninas e os meninos brasileiros.”

“Muitas vezes, traziam alertas e faziam com que o poder público e a sociedade se mobilizassem para proteger as crianças e os adolescentes mais vulneráveis, sobretudo aqueles mais difíceis de serem alcançadas, que sofrem violência, invisíveis aos olhos da sociedade.”

Para o UNICEF, Dimenstein sempre foi muito presente na defesa dos direitos humanos, liderando ou influenciando muitos projetos e iniciativas que buscavam promover uma cidade e um mundo melhor para meninas e meninos. Alguns dos mais marcantes foram a Cidade Escola Aprendiz e o Catraca Livre, lembrou a agência da ONU.

“Gilberto sempre esteve ao lado do UNICEF e das organizações que trabalham pelos direitos de crianças e adolescentes. Gilberto sempre esteve perto das crianças e dos adolescentes que mais precisam. Gilberto ajudou a recriar a infância brasileira, mais justa e mais feliz.”

“Em nome do UNICEF, enviamos um abraço solidário à família e amigos.”