Agências da ONU doam 28 milhões de dólares para combate à cólera no Haiti e República Dominicana

No Haiti, mais de 8 mil pessoas morreram e 657 mil ficaram doentes após o surto da cólera em outubro de 2010. Na República Dominicana, 440 morreram e mais de 30 mil ficaram doentes.

Pacientes com cólera são tratados por um médico cubano em um hospital na cidade de L'Estere, Haiti. Foto: ONU/Sophia Paris

Pacientes com cólera são tratados por um médico cubano em um hospital na cidade de L’Estere, Haiti. Foto: ONU/Sophia Paris

Três agências da ONU anunciaram na sexta-feira (31) um compromisso por um novo apoio financeiro de 28,1 milhões de dólares para os esforços de eliminação da cólera no Haiti e República Dominicana. Os esforços devem ser feitos por meio de grandes investimentos em água e saneamento e reforço dos sistemas de saúde.

O anúncio foi feito durante encontro da Coalizão Regional para a Eliminação da Transmissão da Cólera na Ilha de São Domingos (dividida entre Haiti e República Dominicana), realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – representação regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas – em Washington, Estados Unidos.

Os fundos incluem 20 milhões de dólares do Banco Mundial, 5 milhões de dólares do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e 3,1 milhões dólares da OPAS/OMS. Além disso, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho afirmou que vai lançar uma nova unidade de doação cujos recursos serão destinados exclusivamente a apoiar os esforços contra a cólera.

Os recursos vão apoiar planos nacionais de eliminação da cólera nos dois países. No Haiti o plano, lançado em fevereiro de 2013, pede 2,2 bilhões de dólares em investimentos nos próximos 10 anos, incluindo 443,7 milhões de dólares ao longo dos próximos dois anos e 18 milhões de dólares nos próximos seis a oito meses. O plano da República Dominicana pede 77 milhões de dólares em investimentos ao longo de 10 anos, incluindo 33 milhões dólares ao longo dos próximos dois anos.

Os 28,1 milhões de dólares doados aumentam o total de recursos comprometidos para apoiar os planos nacionais para 209,4 milhões de dólares, menos da metade da quantidade necessária nos próximos dois anos.

“Nós temos que desafiar os governos e parceiros para alcançar os recursos que são necessários para fazer o trabalho”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne. “O objetivo não é só eliminar a cólera. É garantir que cada homem, mulher e criança tenha acesso à água potável e saneamento. Isso é básico para a dignidade de cada ser humano.”

Desde que a cólera eclodiu no Haiti, em outubro de 2010, mais de 8 mil pessoas morreram e mais de 657 mil pessoas ficaram doentes, segundo dados até 22 de maio. Na República Dominicana, mais de 30 mil ficaram doentes e 440 morreram, segundo o vice-ministro da Saúde do país, Rafael Schiffino.

Atualmente, o Haiti tem os mais baixos níveis de acesso a água e saneamento dentre qualquer país das Américas. Apenas 69% da população tem acesso a água potável e somente 29% tem acesso ao saneamento melhorado, segundo a diretora-geral do Ministério da Saúde e População do Haiti, Marie Raymond. Dentre os 20% mais pobres da população, apenas 1% tem acesso a uma fonte potável de água e 90% pratica defecação ao ar livre.

Por outro lado, 93% das pessoas na América Latina e no Caribe tem acesso a água potável, enquanto 80% têm acesso a saneamento básico, segundo dados de 2008. O plano de combate à cólera para os próximos 10 anos no Haiti pretende levar o acesso à água potável para até pelo menos 85% da população e acesso ao saneamento melhorado a pelo menos 90%.

Em janeiro de 2012, os governos do Haiti e da República Dominicana, em conjunto com a OPAS/OMS, o UNICEF e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), emitiram uma “chamada à ação” para a comunidade internacional para ajudar a eliminar a cólera nos dois países e, assim, levar o Haiti até os níveis regionais de água e cobertura de saneamento.

O prazo de 10 anos para a eliminação de cólera no Haiti se baseia, em parte, na experiência de uma epidemia da doença na década de 1990 que começou no Peru e se espalhou para mais de 21 países das Américas, em apenas dois anos. Com o apoio da comunidade internacional, os investimentos em infraestrutura de água e saneamento contribuíram para a virtual eliminação da cólera, da América Central e do Sul, dentro de uma década.