Agências da ONU discutem HIV e uso de drogas na América Latina em Conferência na Costa Rica

O Brasil apresentou um estudo sobre o perfil dos usuários de crack, revelando que a contaminação pelo HIV é oito vezes maior entre os usuários.

Um estudo sobre um estudo sobre o perfil dos usuários de crack, revela que a contaminação pelo HIV é oito vezes maior entre os usuários da substância. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo sobre um estudo sobre o perfil dos usuários de crack, revela que a contaminação pelo HIV é oito vezes maior entre os usuários da substância. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A V Conferência Latinoamericana sobre Políticas de Drogas, espaço organizado pela sociedade civil para o debate sobre drogas na região, reuniu centenas de funcionários do governo, representantes das Nações Unidas, especialistas e membros da sociedade civil em San José, na Costa Rica, entre os dias 3 e 4 de setembro.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em parceria com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), organizou uma sessão satélite para discutir a epidemia do HIV e pessoas que usam drogas na América Latina para conhecer as evidências existentes e promover a troca de experiências.

Três estudos foram apresentados durante a sessão. A assessora regional de HIV/AIDS do Escritório de Ligação e Parceria do UNODC para o Brasil,Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, Carola Lew, apresentou um estudo sobre a “Prevalência do HIV/AIDS e de conhecimentos, atitudes e práticas entre usuários de pasta base, crack e outras denominações da cocaína fumada em Montevidéu e área metropolitana”. O estudo foca na alta vulnerabilidade das pessoas que usam drogas por vias não injetáveis, as práticas sexuais e de consumo de risco para a transmissão do HIV e o aumento do risco de transmissão sexual do HIV nessa população e as dificuldades de acesso a serviços nos dispositivos de saúde e proteção social.

Drogas e HIV no Brasil

Na sequência, o diretor de Planejamento e Avaliação de Políticas sobre Drogas da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) do Brasil, Luiz Guilherme Paiva, expôs dados do estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sobre o “Perfil dos usuários de crack e/ou similares no Brasil”. O estudo, que descreve tanto as características sociodemográficas quanto comportamentais dessa população, revelou que a contaminação pelo HIV é oito vezes maior entre usuários de crack do que na população geral.

Finalmente, a coordenadora de equipe de Redução da Demanda de Drogas do Escritório Regional do UNODC no Panamá, Melva Ramírez, apresentou um estudo realizado com pacientes de centros de tratamento para dependência de drogas em países da América Central.

Para iniciar o debate sobre a resposta da epidemia de HIV entre pessoas que usam drogas, a coordenadora de Saúde Mental do município de São Paulo, Myres Cavalcanti, falou sobre o Programa de Braços Abertos e mencionou dados de prevalência do HIV e sífilis entre os usuários atendidos, Implementado pela prefeitura de São Paulo desde janeiro deste ano, o programa já cadastrou quase 400 usuários de crack para receber moradia, trabalho, alimentação, atendimento de saúde e capacitação.

A Conferência contou ainda com uma sessão dedicada à próxima Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU sobre Drogas (UNGASS), que oferecerá uma oportunidade em 2016 para que os países debatam questões globais sobre o controle de drogas.

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