Agências da ONU discutem como reduzir transtornos de saúde mental em crianças e adolescentes

Cerca de 20% dos adolescentes em todo o mundo sofrem com transtornos de saúde mental e 15% dos jovens em países de baixa e média renda já consideraram suicídio.

Para lidar com o problema, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizam a primeira conferência sobre o tema na Itália.

Três jovens hondurenhas, com 13 e 14 anos, vítimas de assédio. Foto: Adriana Zehbrauskas/Unicef

Três jovens hondurenhas, com 13 e 14 anos, vítimas de assédio. Foto: Adriana Zehbrauskas/Unicef

Para lidar com o aumento de transtornos de saúde mental em crianças e adolescentes, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizam a primeira conferência sobre o tema entre os dias 8 e 10 de novembro na cidade de Florença, Itália.

A iniciativa faz parte de uma nova série anual de conferências do UNICEF que destaca os principais problemas que afetam crianças e jovens no século XXI, chamada Leading Minds, (“Mentes que Lideram”, na tradução livre para o português), e que marca o 30º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado neste ano de 2019.

A diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore, explica que “muitas crianças e jovens, ricos e pobres, nos quatro cantos do mundo, estão passando por problemas de saúde mental”.

Na maioria dos casos, os transtornos mentais iniciam antes dos 14 anos. “Precisamos de estratégias urgentes e inovadoras para prevenir, detectar e, se necessário, tratar estes problemas desde cedo. Esta crise não tem limites ou fronteiras”, afirmou.

Dados da saúde mental de crianças e adolescentes

De acordo com os dados mais recentes, até 20% dos adolescentes em todo o mundo sofrem de transtornos mentais. Entre os problemas mais comuns estão automutilação, suicídio e depressão.

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre as pessoas de 15 a 19 anos de idade. Cerca de 15% dos adolescentes em países de baixa e média rendas consideraram cometer suicídio.

Esses transtornos têm um custo pessoal, mas também social e econômico. Apesar disso, têm sido negligenciados nos programas de saúde globais e nacionais.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, “poucas crianças com problemas de saúde mental têm acesso aos serviços de que precisam, e isso deve mudar”.

Mentes que lideram

Durante a conferência em Florença serão analisados os recursos, as parcerias e os serviços necessários para cuidar da saúde mental de crianças e jovens.

A iniciativa também deve debater o resultado de estudos recentes, que mostram a importância da saúde do cérebro nos primeiros anos de vida.