Agências da ONU discutem ampliar segurança alimentar na América Central

Reunião de agências da ONU na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma, abordou a necessidade de se promover iniciativas de desenvolvimento de longo prazo na América Central em favor da segurança alimentar de cerca de 10,5 milhões de pessoas que vivem no chamado Corredor Seco, que inclui El Salvador, Guatemala e Honduras.

Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) já financiou cerca de 2 milhões de empréstimos para a agricultura familiar. Foto: Ministério do Desenvolvimento Agrário

Pequenos agricultores familiares e comunidades rurais são os mais vulneráveis aos fenômenos climáticos extremos. Foto: Ministério do Desenvolvimento Agrário

É essencial que a comunidade internacional e os governos a do chamado Corredor Seco da América Central atuem com urgência para ajudar a fortalecer a resiliência e a segurança alimentar de suas populações e restaurar os meios de vida prejudicados pela seca e outros impactos climáticos extremos do fenômeno El Niño, disseram na semana passada (30) especialistas das Nações Unidas.

O evento devastador do fenômeno El Niño iniciado em 2015 foi um dos piores registados até a data e seu impacto ainda é sentido no Corredor Seco, agravando os danos de dois anos consecutivos de seca. Como resultado, cerca de 3,5 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e outras 1,6 milhão estão em situação de insegurança alimentar moderada ou grave nos países mais afetados: El Salvador, Guatemala e Honduras.

Para aumentar a conscientização e coordenar respostas tanto para crises de longo prazo relacionados com El Niño quanto à possibilidade de um evento ligado ao fenômeno La Niña no segundo semestre de 2016, diversas agências das Nações Unidas e parceiros reuniram-se na semana passada na sede da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma.

A reunião foi acompanhada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Programa Alimentar Mundial (PMA), a fim de mobilizar a comunidade internacional para apoiar os esforços coletivos.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, Mario Mendez, o secretário de Agricultura e Pecuária de Honduras, Jacobo Paz Bodden, e o vice-ministro da Agricultura e Pecuária de El Salvador, Hugo Flores, participaram da reunião, concluída com uma declaração conjunta enfatizando os desafios comuns no Corredor Seco, incluindo a adaptação dos sistemas de produção de agricultura familiar às mudanças climáticas; expansão dos esforços para reduzir pobreza, desigualdade e vulnerabilidade ambiental e socioeconômica da região.

Em seu discurso de abertura, o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, observou que “o desafio enfrentado pelo Corredor Seco não é apenas as mudanças do clima,  mas também a extrema pobreza e a insegurança alimentar e nutricional”, e alertou que “temos de mudar a estratégia da resposta tradicional e abordar as causas estruturais da pobreza e da insegurança alimentar no Corredor Seco, e não nos conformar em simplesmente montar uma resposta humanitária sempre que ocorrer uma emergência”.

“Temos de nos concentrar na resiliência, incluindo o desenvolvimento sustentável e a adaptação às mudanças climáticas”, acrescentou o diretor-geral da FAO.

A ação coordenada entre as diferentes agências e parceiros para construir a resiliência das pessoas vulneráveis no Corredor Seco salvará vidas, enquanto se trabalha para eliminar a insegurança alimentar, disse, por sua vez, o diretor executivo do PMA, Ertharin Cousin.

“Juntos , devemos não só eliminar a pobreza, mas também lidar previamente com o extraordinário nível de vulnerabilidade social, econômica e ambiental experimentada por pessoas que vivem no Corredor Seco, o que contribui para a insegurança alimentar”, disse Cousin.

El Niño e La Niña cada vez mais frequentes

Vivem no Corredor Seco da América Central cerca de 10,5 milhões de pessoas, com cerca de 60% delas em situação de pobreza, em uma região caracterizada por elevadas taxas de desmatamento, degradação do solo e escassez de água.

Estas condições são agravadas pelo El Niño e sua contraparte, o La Niña, que ocorrem ciclicamente. Nos últimos anos, os eventos climáticos extremos associados a estes dois fenômenos, tais como secas e inundações, aumentaram em frequência e gravidade, devido principalmente aos efeitos da mudança climática global.