Agências da ONU celebram diversidade sexual e fazem campanha contra HIV no Rio de Janeiro

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Campanha #euAbraço começou na quinta-feira (4), na Praça Mauá, zona portuária da capital fluminense, com distribuição de 50 mil preservativos e participação de 52 voluntários que conversaram com cariocas e turistas sobre respeito às diferenças e combate à discriminação. Novos “abraçaços” vão acontecer em diferentes pontos do Rio de Janeiro.

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Na quinta-feira (4) – véspera da abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro –, 52 voluntários da campanha #euAbraço se espalharam pela Praça Mauá, na zona portuária da capital fluminense, para celebrar o respeito à diversidade sexual. A iniciativa também chamou a atenção de cariocas e turistas para a prevenção ao HIV – 50 mil preservativos foram distribuídos ao longo da manhã.

A atividade marcou o início do projeto de agências da ONU e do Ministério da Saúde para promover o espírito de união, paz e tolerância durante as Olimpíadas e Paralimpíadas e, ao mesmo tempo, combater o avanço da epidemia de Aids através do fornecimento de preservativos, lubrificante e testagem para HIV.

“O movimento olímpico é um movimento esportivo, sem nenhuma dúvida, mas que é claramente construído sobre o princípio de diversidade, de oferecer oportunidade a todos, independente de raça, independente de onde moram, independente de orientação sexual”, destacou o diretor-executivo adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e brasileiro, Luiz Loures.

O dirigente do organismo internacional, um dos criadores da #euAbraço, lembrou ainda que a mensagem das competições é de que “todos somos iguais” e ressaltou que os princípios dos Jogos, da ONU e do governo brasileiro estão alinhados contra a discriminação.

O contato dos integrantes da campanha com o público começa com o gesto físico e simbólico do abraço, que representa a aceitação das diferenças.

Os mais de 50 voluntários presentes no encontro da quinta-feira integram uma força-tarefa de 88 mobilizadores que vão realizar outros “abraçaços” em diferentes pontos da Cidade Maravilhosa, como os lives sites de transmissão dos Jogos em Copacabana, Madureira e Praça XV.

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Segundo o representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil – outra agência parceira da campanha –, Jaime Nadal, “nós temos a convicção de que avançar na luta contra o preconceito e a discriminação contra os coletivos, por exemplo, que hoje vieram para este evento, os coletivos LGBTI, é muito importante para avançar os direitos humanos de todas as pessoas”.

Além de atividades presenciais, a iniciativa #euAbraço conta com uma plataforma virtual, o Abraçômetro, que será lançada em breve. O portal vai receber imagens de pessoas se abraçando e contabilizar o tamanho desses gestos – a partir das alturas dos envolvidos – para bater metas.

A campanha também vai mobilizar o público das redes sociais com ações online que vão alcançar quem estiver no Rio, bem como pessoas do mundo inteiro. A hashtag #euAbraço foi traduzida para inglês, francês e espanhol – respectivamente #iEmbrace, #j’Embrasse e #yoAbrazo.

‘Nós estamos ligados em prevenção’

Entre os voluntários da campanha, o administrador Thiago Bassi, de 31 anos, acredita que o abraço pode desconstruir comportamentos heteronormativos que ditam “que homem pode isso, mulher pode aquilo”.

Durante as atividades da iniciativa no Rio, o rapaz será um dos responsáveis pelas testagens para HIV. Bassi lembra que, embora muitas pesquisas associem a epidemia de HIV/Aids ao público LGBT, pessoas cis-hétero também estão se infectando.

Thiago Bassi (à direita) criou plataforma para denunciar e mapear agressões contra LGBTs. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

Thiago Bassi (à direita) criou plataforma para denunciar e mapear agressões contra LGBTs. Foto: UNIC Rio / Pedro Andrade

O voluntário destacou o engajamento de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans em organizações como o grupo Rede Pela Vidda – parceira da #euAbraço no treinamento dos mobilizadores –, que divulgam conhecimentos sobre prevenção capazes de “quebrar estigmas” vinculados a essas populações. “Nós estamos ligados em prevenção”, comenta.

Bassi é um dos fundadores do ‘TemLocal’, plataforma colaborativa que recebe denúncias de usuários para mapear lugares onde agressões ao público LGBT ocorreram. As informações são divulgadas em redes sociais para todo o Brasil.

Saiba mais sobre a campanha #euAbraço, que também recebe apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasi, aqui.


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