Agências da ONU aceleram entrega de ajuda para a Somália

O número de refugiados somalis que chegam no Quênia aumentou de 1300 por dia, em julho, para uma média de quase 1500, nos quatro primeiros dias de agosto.

À medida que mais e mais somalis, a maioria mulheres e crianças, continuam fugindo da fome em sua terra natal, agências das Nações Unidas estão aumentando os esforços para atender às crescentes necessidades humanitárias. O número de refugiados somalis que chegam nos três campos de refugiados em Dadaab, Quênia, aumentou de 1300 por dia, em julho, para uma média de quase 1500 nos quatro primeiros dias de agosto, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

Até agora, este ano, cerca de 116 mil refugiados somalis chegaram a Dadaab – cerca de 76 mil deles apenas nos últimos dois meses, informou a agência. Cerca de 80% dos recém-chegados são mulheres e crianças. Quando chegam aos campos, eles recebem uma ração alimentar de 21 dias através do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, utensílios de cozinha, baldes, cobertores, colchonetes e sabonetes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está ampliando suas atividades para ajudar os refugiados em Dadaab e outras comunidades de acolhimento próximas, oferecendo apoio em saúde e nutrição, água, saneamento e higiene e proteção da criança. “Quase metade das crianças que chegam do sul da Somália são desnutridas,” afirma a agência em comunicado à imprensa, acrescentando que os relatos de crianças que morrem ao longo do caminho ou na chegada aos campos são “perturbadoramente comuns.”

O UNICEF está também apoiando campanhas integradas para a imunização contra o sarampo e a pólio, a desparasitação e a suplementação de vitamina A. Mais de 200 mil crianças com menos de cinco anos serão alcançadas através da campanha de imunização nas próximas semanas e mais de 100 mil já foram vacinadas. A agência também tem trabalhado para garantir o acesso à água potável e ao saneamento para os refugiados, além de planejar a construção de 146 novos centros de aprendizagem e salas de aula nos campos de refugiados e aliviar o congestionamento nas escolas já existentes.

Enquanto isso, o ACNUR informou que sua ponte aérea humanitária para a Somália – a primeira em mais de cinco anos – tem seu início marcado para a semana que vem. O primeiro dos três vôos planejados está programado para pousar em Mogadíscio (capital da Somália) na segunda-feira, trazendo mais de 31 toneladas de material de abrigo e outros itens de ajuda do estoque da agência, em Dubai, nos Emirados Árabes, para os somalis deslocados que vivem na capital.

À medida que a fome ameaça todo o sul da Somália, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) advertiu hoje (05/08) que uma ação imediata é necessária para salvar as vidas e o sustento de milhões de agricultores e criadores de gado atingidos pela seca em toda a região. “A crise no Chifre da África é a emergência de segurança alimentar mais severa no mundo hoje,” a agência afirmou. “A situação tem sido agravada por conflitos prolongados que, ao longo do tempo, forçaram milhões de pessoas a fugirem de suas casas, abandonando a terra, o gado e outros bens produtivos.”

Entre as medidas de curto prazo que a agência está tentando adotar estão à distribuição de sementes e ferramentas para a temporada de plantio de outubro, o apoio à saúde animal e programas de “trabalho por alimentos”. A FAO acrescentou que a epidemia de fome deve se espalhar para todas as regiões do sul entre as próximas quatro ou seis semanas e deve persistir pelo menos até dezembro de 2011.